Adenomiomatose da Vesícula Biliar: Achados e Diagnóstico

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Em relação à adenomiomatose da vesícula biliar, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Também conhecida como adenomiose da vesícula biliar, pode ser segmentar (mais frequente), localizada ou difusa (mais rara).
  2. B) Não tem associação com cálculos de vesícula.
  3. C) Geralmente se associa aos seios de Rokitansky-Aschoff, que podem ser macro ou microscópicos.
  4. D) Geralmente se associa ao espessamento da camada muscular e herniação da mucosa entre as fibras musculares, à semelhança da formação dos divertículos do cólon.
  5. E) Sua principal forma de apresentação ultrassonográfica é de espessamento parietal segmentar, com múltiplos focos ecogênicos intramurais, que determinam artefato de reverberação sonora posterior, conhecido como artefato em cauda de cometa.

Pérola Clínica

Adenomiomatose → Seios de Rokitansky-Aschoff + Cauda de cometa; Frequentemente associada a cálculos.

Resumo-Chave

A adenomiomatose biliar é uma proliferação benigna da mucosa com formação de divertículos intramurais (seios de Rokitansky-Aschoff). Ao contrário do senso comum, está fortemente associada à colelitíase.

Contexto Educacional

A adenomiomatose da vesícula biliar faz parte do grupo das colecistoses hiperplásicas. Caracteriza-se pela proliferação excessiva do epitélio de revestimento com invaginação para dentro da camada muscular, que se apresenta hipertrofiada. Esse processo é análogo à formação de divertículos no cólon, onde a pressão intraluminal elevada contribui para a herniação da mucosa. Clinicamente, a maioria dos pacientes é assintomática, e o diagnóstico costuma ser um achado incidental em exames de imagem. No entanto, a forte associação com a colelitíase (pedras na vesícula) faz com que muitos pacientes apresentem sintomas de cólica biliar. O tratamento definitivo é a colecistectomia, geralmente indicada quando há sintomas, cálculos associados ou quando não se pode excluir malignidade devido ao padrão de espessamento da parede.

Perguntas Frequentes

O que são os seios de Rokitansky-Aschoff na adenomiomatose?

Os seios de Rokitansky-Aschoff são invaginações ou divertículos da mucosa da vesícula biliar que penetram através da camada muscular hipertrofiada. Eles são a marca histopatológica da adenomiomatose. Esses seios podem acumular bile espessa, cristais de colesterol ou pequenos cálculos, o que gera os achados característicos nos exames de imagem. Embora possam ser vistos em casos de colecistite crônica, na adenomiomatose eles são acompanhados de uma proliferação epitelial e muscular mais acentuada.

Qual o principal achado ultrassonográfico da adenomiomatose?

O achado clássico na ultrassonografia é o espessamento da parede da vesícula biliar (que pode ser segmentar, focado ou difuso) contendo pequenos focos ecogênicos intramurais. Esses focos geram um artefato de reverberação sonora posterior específico, conhecido como 'artefato em cauda de cometa' (comet-tail artifact). Esse sinal é causado pela presença de cristais de colesterol ou bile aprisionados dentro dos seios de Rokitansky-Aschoff, sendo altamente sugestivo desta patologia benigna.

A adenomiomatose da vesícula biliar é considerada pré-maligna?

A adenomiomatose é considerada uma condição degenerativa benigna e não é tipicamente classificada como uma lesão pré-maligna. No entanto, existe uma preocupação clínica, especialmente na forma segmentar (que acomete o corpo/fundo da vesícula), pois o espessamento parietal pode dificultar a detecção precoce de um carcinoma de vesícula biliar concomitante ou mascarar lesões suspeitas. Em pacientes idosos com adenomiomatose segmentar, a vigilância ou colecistectomia pode ser considerada devido a essa associação diagnóstica difícil.

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