UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2021
Mulher, 38 anos, procura atendimento com queixa de emagrecimento (4 kg nos últimos três meses), tremores finos de extremidades e aumento do volume cervical anterior. Ao exame físico, não apresenta alterações oculares e palpa-se nódulo tireoidiano de 3,5 cm em lobo direito, de consistência elástica, indolor e móvel à deglutição. Traz exames laboratoriais que revelam: TSH = 0,1 (VR: 0,4-4,0) mUI/mL e T4 livre = 2,0 (VR: 0,8 – 1,8) ng/dL. Em relação a esse caso, assinale a opção que relaciona corretamente o diagnóstico provável e exame complementar para confirmação.
Nódulo tireoidiano único + hipertireoidismo sem oftalmopatia → Adenoma tóxico; confirmar com cintilografia.
A presença de um nódulo tireoidiano palpável em um paciente com hipertireoidismo (TSH suprimido e T4 livre elevado), na ausência de oftalmopatia, sugere fortemente um adenoma tóxico. A cintilografia de tireoide é o exame confirmatório, mostrando um nódulo hiperfuncionante ("quente") e supressão do restante da glândula.
O adenoma tóxico, também conhecido como Doença de Plummer, é uma causa de hipertireoidismo caracterizada pela presença de um nódulo tireoidiano autônomo, que produz hormônios tireoidianos independentemente do controle do TSH. É mais comum em mulheres de meia-idade e idosos, e sua importância clínica reside na necessidade de diferenciar de outras causas de hipertireoidismo e na abordagem terapêutica específica. A fisiopatologia envolve uma mutação somática no receptor de TSH ou na proteína Gsα, levando à ativação constitutiva da via de sinalização do TSH e à produção excessiva de hormônios. O diagnóstico é suspeitado pela clínica de hipertireoidismo e pela palpação de um nódulo único. Laboratorialmente, há TSH suprimido e T3/T4 livres elevados. A confirmação é feita pela cintilografia de tireoide, que revela um nódulo "quente" (hipercaptante) e o restante da glândula "frio" (hipocaptante) devido à supressão do TSH. O tratamento do adenoma tóxico pode incluir terapia com iodo radioativo, cirurgia (lobectomia ou tireoidectomia) ou medicamentos antitireoidianos para controle sintomático. A escolha depende do tamanho do nódulo, da idade do paciente e da gravidade do hipertireoidismo. É crucial o acompanhamento para monitorar a função tireoidiana e a possível recorrência.
Os sinais e sintomas são os do hipertireoidismo (emagrecimento, tremores, taquicardia) associados à presença de um nódulo tireoidiano palpável. Diferentemente da Doença de Graves, a oftalmopatia é rara.
A cintilografia permite visualizar a funcionalidade do nódulo. No adenoma tóxico, o nódulo capta intensamente o radiofármaco ("nódulo quente"), enquanto o restante da glândula é suprimido e não capta.
A Doença de Graves é uma doença autoimune com bócio difuso e frequentemente oftalmopatia. O adenoma tóxico é um nódulo único hiperfuncionante, sem etiologia autoimune e sem oftalmopatia. A dosagem de TRAb e a cintilografia ajudam na diferenciação.
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