CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Com relação ao adenoma pleomórfico de glândula lacrimal, assinale a alternativa correta.
Adenoma pleomórfico lacrimal = massa indolor + crescimento lento + bem delimitada na TC.
É o tumor epitelial mais comum da glândula lacrimal, caracterizado por crescimento lento e indolor, apresentando-se como uma massa bem delimitada que desloca o globo ocular sem invasão óssea.
O adenoma pleomórfico, também conhecido como tumor misto benigno, representa cerca de 50% de todos os tumores epiteliais da glândula lacrimal. Ele deriva de elementos ductais e mioepiteliais, além de estroma mixoide, condroide ou osteoide. Sua epidemiologia não demonstra uma predileção clara por sexo, ocorrendo predominantemente na quarta e quinta décadas de vida. Clinicamente, o paciente apresenta proptose axial ou ínfero-nasal progressiva. O diagnóstico diferencial inclui o carcinoma adenoide cístico, linfomas e pseudotumor orbitário. O manejo exige precisão técnica, pois a ruptura capsular durante a remoção aumenta drasticamente a taxa de recidiva, que pode ocorrer décadas após a cirurgia inicial.
Na tomografia computadorizada (TC), o adenoma pleomórfico da glândula lacrimal geralmente se apresenta como uma massa sólida, bem delimitada, arredondada ou ovalada, localizada na fossa da glândula lacrimal. É comum observar o remodelamento ósseo adjacente devido ao crescimento lento, mas sem sinais de destruição ou erosão óssea agressiva, o que ajuda a diferenciá-lo de neoplasias malignas. A lesão costuma ser homogênea, embora áreas de degeneração cística possam conferir certa heterogeneidade em tumores maiores.
A ausência de dor à palpação e o crescimento insidioso (meses a anos) são marcos clínicos do adenoma pleomórfico. A dor costuma estar associada a processos inflamatórios (como a dacrioadenite) ou neoplasias malignas com invasão perineural, como o carcinoma adenoide cístico. Portanto, uma massa firme e indolor na região superotemporal da órbita em um adulto jovem ou de meia-idade deve levantar forte suspeita de adenoma pleomórfico.
A conduta padrão é a exérese cirúrgica completa da lesão com sua cápsula intacta, preferencialmente através de uma orbitotomia lateral. A biópsia incisional é contraindicada devido ao alto risco de disseminação de células tumorais e recorrência local, que pode sofrer transformação maligna para o chamado 'carcinoma ex-adenoma pleomórfico', uma condição de prognóstico muito mais reservado.
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