CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Paciente de 42 anos de idade com discreta proptose unilateral progressiva há dois anos, indolor, associada a distopia inferonasal. Na tomografia computadorizada de órbitas observa-se massa oval, hiperdensa, homogênea, encapsulada e com bordas nítidas na localização da glândula lacrimal principal, sem destruição do osso adjacente. Qual o provável diagnóstico?
Massa encapsulada na glândula lacrimal + Proptose indolor + Sem erosão óssea = Adenoma Pleomórfico.
O adenoma pleomórfico é o tumor epitelial mais comum da glândula lacrimal, caracterizado por crescimento lento, indolor e aspecto benigno na imagem (encapsulado).
Os tumores da glândula lacrimal representam um desafio diagnóstico, dividindo-se entre processos inflamatórios, linfoproliferativos e epiteliais. O adenoma pleomórfico, também conhecido como tumor misto benigno, é a neoplasia epitelial mais frequente. Sua natureza benigna, porém localmente agressiva em caso de ruptura capsular, exige uma abordagem cirúrgica cuidadosa. Radiologicamente, a ausência de invasão óssea e a presença de uma cápsula bem definida são marcos que sugerem benignidade. O acompanhamento a longo prazo é necessário, pois embora seja benigno, o potencial de transformação maligna existe se o tumor não for removido integralmente na primeira intervenção.
A apresentação clássica é uma proptose unilateral de progressão lenta (meses a anos), indolor, que causa um deslocamento do globo ocular para baixo e para dentro (distopia inferonasal), devido à localização da glândula lacrimal no quadrante supero-temporal da órbita.
O adenoma pleomórfico aparece como uma massa oval, bem delimitada, encapsulada e pode causar apenas um remodelamento ósseo (fossa lacrimal alargada) sem destruição. Já o carcinoma adenoide cístico apresenta bordas irregulares, invasão de tecidos adjacentes e destruição óssea franca (osteólise).
O tratamento é a excisão cirúrgica completa do tumor com sua cápsula intacta. A biópsia incisional é contraindicada, pois o extravasamento do conteúdo tumoral aumenta drasticamente o risco de recorrência local e transformação maligna para carcinoma ex-adenoma pleomórfico.
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