CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Homem de 45 anos de idade foi submetido há 6 anos à exérese de tumor de glândula lacrimal unilateral de crescimento lento e indolor: Exame anatomopatológico identificou adenoma pleomórfico. Percebeu-se há cinco meses proptose progressiva no mesmo lado. Ao exame físico nota-se proptose e distopia ínfero-nasal e massa fibroelástica temporal superior palpável e aderida. Assinale a alternativa correta:
Adenoma pleomórfico recidivado → ↑ risco de transformação maligna → Excisão completa mandatória.
O adenoma pleomórfico é o tumor epitelial mais comum da glândula lacrimal; sua manipulação incompleta ou biópsia incisional predispõe a recidivas agressivas e transformação em carcinoma.
O adenoma pleomórfico, ou tumor misto benigno, representa cerca de 50% dos tumores epiteliais da glândula lacrimal. Apresenta-se classicamente como uma massa indolor de crescimento lento no quadrante supero-temporal da órbita, causando proptose e deslocamento ínfero-nasal do globo ocular. Histologicamente, contém elementos epiteliais e mesenquimais. A importância clínica reside no potencial de transformação maligna. Quando o tumor recidiva devido à remoção incompleta, o risco de se tornar um carcinoma ex-adenoma pleomórfico aumenta significativamente. Este último é um tumor altamente agressivo com prognóstico reservado. Portanto, diante de uma recidiva com sinais de crescimento progressivo, a reintervenção cirúrgica para excisão completa é a única conduta segura.
A biópsia incisional é contraindicada porque o adenoma pleomórfico possui uma pseudocápsula. O rompimento dessa barreira durante uma biópsia permite a semeadura de células tumorais no tecido orbitário adjacente. Isso aumenta drasticamente a taxa de recidiva local, que é muito mais difícil de tratar cirurgicamente e eleva o risco de transformação maligna para carcinoma ex-adenoma pleomórfico ao longo do tempo. A conduta padrão é a excisão em bloco com a cápsula íntegra.
Sinais de alerta para malignidade (como o carcinoma ex-adenoma pleomórfico) incluem o crescimento rápido de uma massa anteriormente estável ou de crescimento lento, dor orbitária, proptose acentuada, distopia ocular e, crucialmente, evidência radiológica de erosão ou destruição óssea na fossa da glândula lacrimal. Enquanto o adenoma pleomórfico benigno causa apenas remodelamento ósseo (fossa rasa), a malignidade invade o osso.
A técnica recomendada é a orbitotomia lateral para a excisão completa da massa tumoral em bloco, preservando a integridade da cápsula. Em casos de tumores primários, tenta-se remover o tumor sem remover toda a glândula se possível, mas garantindo margens livres. Em casos de recidiva ou suspeita de malignidade, a abordagem pode ser mais agressiva, dependendo da extensão da invasão tecidual e óssea observada nos exames de imagem.
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