Adenoma Hepático Roto: Angioembolização de Urgência

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 40 anos, admitida na emergência, com história de dor em hipocôndrio direito e flanco direito, súbita, em pontada, associada a náuseas, vômitos e tontura. Negava antecedentes de trauma. Usava anticoncepcionais (via oral) há 17 anos. No exame físico estava hipocorada (2+/4+), taquicárdica e hipotensa. Exames laboratoriais evidenciaram anemia (Hb: 9,2 g/dL, Ht: 27%), leucograma normal e aumento de transaminases (TGO: 311 u/L, TGP: 259 u/L). Ultrassonografia (USG) abdominal mostrou duas formações hepáticas expansivas, arredondadas, com ecogenicidade heterogênea, predominantemente hipoecoicas, a maior localizada no segmento VII, medindo 8,6 x 7,4 x 6,6 cm, a outra situada no segmento VI, medindo 8,7 x 7,2 x 4,5 cm, além de pequena quantidade de líquido livre perihepático e em escavação pélvica. Tomografia demonstrada.Após medidas iniciais de reanimação, a fim de promover rápida estabilização hemodinâmica da paciente, a terapia mais indicada é:

Alternativas

  1. A) Transplante hepático.
  2. B) Angioembolização hepática seletiva.
  3. C) Trissegmentectomia hepática.
  4. D) Lobectomia hepática direita.
  5. E) Escleroterapia por acesso transparietohepático.

Pérola Clínica

Adenoma hepático roto + instabilidade hemodinâmica → Angioembolização hepática seletiva.

Resumo-Chave

Em pacientes com adenoma hepático roto e instabilidade hemodinâmica, a angioembolização hepática seletiva é a terapia mais indicada para controlar rapidamente o sangramento, estabilizando o paciente antes de considerar outras abordagens cirúrgicas definitivas.

Contexto Educacional

O adenoma hepático é um tumor benigno raro do fígado, mais comum em mulheres jovens e fortemente associado ao uso de anticoncepcionais orais. Embora benigno, possui risco de complicações graves, como sangramento espontâneo ou ruptura, que podem levar a choque hipovolêmico e óbito se não tratadas prontamente. A ruptura é uma emergência médica que se manifesta com dor abdominal aguda e sinais de hemorragia interna. O diagnóstico é frequentemente incidental em exames de imagem, mas em casos de ruptura, a apresentação clínica é dramática, com dor súbita em hipocôndrio direito, sinais de irritação peritoneal e instabilidade hemodinâmica. Exames laboratoriais revelam anemia e, por vezes, elevação de transaminases. A ultrassonografia e a tomografia computadorizada são essenciais para confirmar a presença das lesões hepáticas e identificar líquido livre abdominal. A terapia mais indicada para a estabilização hemodinâmica de um paciente com adenoma hepático roto e sangramento ativo é a angioembolização hepática seletiva. Este procedimento radiológico intervencionista permite oclusão dos vasos sangrantes, controlando a hemorragia de forma rápida e menos invasiva do que uma cirurgia de grande porte em um paciente instável. Após a estabilização, a ressecção cirúrgica do adenoma pode ser considerada em um segundo momento, se indicada.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco estão associados ao adenoma hepático?

O uso prolongado de anticoncepcionais orais é o principal fator de risco, especialmente em mulheres jovens, como no caso da paciente.

Quais os sinais de ruptura de adenoma hepático?

Dor abdominal súbita e intensa em hipocôndrio direito, associada a náuseas, vômitos, tontura e sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, anemia).

Por que a angioembolização é preferível à cirurgia imediata em casos de ruptura?

A angioembolização é um procedimento minimamente invasivo que permite o controle rápido do sangramento ativo, estabilizando o paciente para que, posteriormente, uma cirurgia definitiva possa ser planejada em condições mais seguras.

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