UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Mulher, 33a, retorna à consulta na Unidade Básica de Saúde, para resultado de exames. Antecedentes pessoais: nega comorbidades, G3P3; método contraceptivo: oral combinado. Nega etilismo e tabagismo. Ultrassonografia abdominal: nódulo único, levemente hiperecoico, bem delimitado, medindo 3cm, localizado no segmento VIII hepático. O DIAGNÓSTICO MAIS PROVÁVEL É:
Mulher jovem em uso de ACO + nódulo hepático único, bem delimitado → Adenoma hepático.
Em mulheres jovens, especialmente aquelas em uso de anticoncepcionais orais combinados, a presença de um nódulo hepático único e bem delimitado na ultrassonografia é altamente sugestiva de adenoma hepático. O uso de ACO é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento e crescimento de adenomas.
O adenoma hepático é uma lesão hepática benigna rara, mais comum em mulheres jovens em idade fértil, com uma forte associação com o uso de anticoncepcionais orais combinados (ACOs). É caracterizado pela proliferação de hepatócitos sem arquitetura portal normal e sem ductos biliares. Embora benigno, o adenoma hepático tem potencial para complicações graves, como sangramento espontâneo e, menos frequentemente, transformação maligna em carcinoma hepatocelular. O diagnóstico do adenoma hepático é frequentemente incidental, detectado em exames de imagem realizados por outras razões. A ultrassonografia pode mostrar um nódulo hiperecoico ou isoecoico, bem delimitado. A tomografia computadorizada e, principalmente, a ressonância magnética com contraste específico para fígado, são cruciais para a caracterização da lesão e diferenciação de outras massas hepáticas, como a hiperplasia nodular focal e o carcinoma hepatocelular. O manejo do adenoma hepático envolve a suspensão dos ACOs, o que pode levar à regressão ou estabilização da lesão. Adenomas menores que 5 cm são geralmente acompanhados com exames de imagem periódicos. Lesões maiores que 5 cm, sintomáticas, com crescimento rápido ou com características de alto risco (por exemplo, subtipos inflamatórios ou com mutação beta-catenina) podem requerer ressecção cirúrgica devido ao risco aumentado de complicações.
O principal fator de risco é o uso de anticoncepcionais orais combinados, especialmente por tempo prolongado e com altas doses de estrogênio. Outros fatores incluem o uso de esteroides anabolizantes e algumas doenças metabólicas.
O diagnóstico é frequentemente incidental, por exames de imagem (ultrassonografia, TC ou RM) realizados por outras razões. A ressonância magnética com contraste hepatobiliar é o método de imagem mais sensível e específico para caracterizar o adenoma e diferenciá-lo de outras lesões.
A conduta inicial inclui a suspensão imediata do anticoncepcional oral. O acompanhamento com exames de imagem é necessário para monitorar o tamanho da lesão. Em casos de adenomas grandes (>5cm), sintomáticos ou com características atípicas, a ressecção cirúrgica pode ser indicada devido ao risco de sangramento ou transformação maligna.
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