Nódulo Hepático em Uso de ACO: Conduta e Diagnóstico

HEETSHL - Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (PB) — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher em idade fértil, em uso contínuo de anticoncepcionais orais há 10 anos, apresenta quadro clínico compatível com colelitíase. À realização de ultrassonografia foi confirmado o diagnóstico e encontrada massa de 45mm no segmento III do fígado. Foi complementada investigação diagnóstica da lesão hepática com ressonância magnética que evidenciou: massa homogênea lisa, bem demarcada, com baixa intensidade de sinal nas imagens ponderadas em TT, sendo hiperintensa em T2. Qual a melhor conduta para o caso:

Alternativas

  1. A) Colecistectomia convencional com hepatectomia esquerda.
  2. B) Colecistectomia convencional com excisão da massa hepática.
  3. C) Colecistectomia videolaparoscópica e biópsia com agulha fina da lesão hepática.
  4. D) Colecistectomia videolaparoscópica apenas.
  5. E) Suspensão da pílula anticoncepcional.

Pérola Clínica

Mulher em ACO + nódulo hepático homogêneo <5cm → Suspender ACO e reavaliar.

Resumo-Chave

Em mulheres em uso de anticoncepcionais orais com nódulo hepático homogêneo, bem demarcado e com características de adenoma hepático (especialmente se <5cm), a primeira conduta é suspender o anticoncepcional. Muitos adenomas regridem ou estabilizam após a interrupção do hormônio. A biópsia ou ressecção é reservada para casos de crescimento, sintomas ou incerteza diagnóstica.

Contexto Educacional

O adenoma hepático é uma lesão benigna rara do fígado, mais comum em mulheres em idade fértil, especialmente aquelas que fazem uso prolongado de anticoncepcionais orais (ACO). A relação com os hormônios sexuais femininos é bem estabelecida, sendo os ACO um importante fator de risco para seu desenvolvimento e crescimento. A importância clínica reside no risco de complicações como hemorragia intra-tumoral e, mais raramente, transformação maligna para carcinoma hepatocelular. O diagnóstico do adenoma hepático é frequentemente incidental, por exames de imagem realizados por outras razões. A ultrassonografia pode identificar a massa, mas a ressonância magnética (RM) com contraste é o método de imagem de escolha para caracterização, distinguindo-o de outras lesões hepáticas benignas (como hiperplasia nodular focal) e malignas. As características de imagem, como massa homogênea, bem demarcada, com baixa intensidade em T1 e hiperintensidade em T2, são sugestivas. A conduta para adenomas hepáticos depende do tamanho, sintomas e risco de complicações. Em mulheres em uso de ACO com adenomas menores que 5 cm e assintomáticos, a primeira e mais importante medida é a suspensão dos anticoncepcionais. Muitos adenomas regridem ou permanecem estáveis após essa intervenção. A biópsia é geralmente evitada devido ao risco de sangramento. A ressecção cirúrgica é reservada para adenomas maiores que 5 cm, sintomáticos, com crescimento documentado após a suspensão dos ACO, ou com características atípicas que sugiram malignidade.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de imagem de um adenoma hepático na ressonância magnética?

Na ressonância magnética, o adenoma hepático tipicamente aparece como uma massa homogênea, bem demarcada, com baixa intensidade de sinal em T1 e hiperintensa em T2. Pode apresentar áreas de gordura ou hemorragia. A ausência de cicatriz central (diferente da hiperplasia nodular focal) é um achado importante.

Qual a relação entre anticoncepcionais orais e adenomas hepáticos?

Os anticoncepcionais orais, especialmente os de alta dose e uso prolongado, são um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento e crescimento de adenomas hepáticos. Esses tumores são hormônio-dependentes e podem regredir ou estabilizar com a suspensão da medicação.

Quando a ressecção cirúrgica de um adenoma hepático é indicada?

A ressecção cirúrgica de um adenoma hepático é indicada em casos de adenomas grandes (>5 cm), adenomas que crescem após a suspensão dos ACO, adenomas sintomáticos (dor, hemorragia), ou quando há suspeita de transformação maligna (carcinoma hepatocelular).

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