UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2021
Uma paciente de 28 anos chega ao hospital com dor súbita em hipocôndrio D . Há 8 anos usa anticoncepcional oral e há 3 anos antiinflamatório não hormonal para artrite. O exame físico é normal e a ultrassonografia mostrou massa em lobo hepático direito de 7X8 cm hipovascular ao Doppler. Qual é o diagnóstico?
Mulher jovem, ACO prolongado, massa hepática hipovascular com dor súbita → Adenoma hepático (risco de hemorragia).
O adenoma hepático é uma lesão benigna rara, mas com forte associação ao uso prolongado de anticoncepcionais orais, especialmente em mulheres jovens. A dor súbita em hipocôndrio direito, como no caso, pode indicar complicação como hemorragia ou ruptura do adenoma, que é uma preocupação devido ao seu potencial de malignização e sangramento. A hipovascularidade ao Doppler é um achado que pode ocorrer em adenomas.
O adenoma hepático é uma neoplasia benigna rara do fígado, que ocorre predominantemente em mulheres jovens em idade fértil, com uma forte associação ao uso prolongado de anticoncepcionais orais (ACOs). A fisiopatologia envolve a estimulação estrogênica sobre os hepatócitos. Clinicamente, muitos adenomas são assintomáticos e descobertos incidentalmente, mas podem se manifestar com dor em hipocôndrio direito, especialmente se houver hemorragia intratumoral ou ruptura, o que pode ser uma emergência médica. O diagnóstico é frequentemente sugerido por exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. A ultrassonografia pode mostrar uma massa hipo ou isoecogênica, e o Doppler pode revelar hipovascularidade, embora o padrão vascular possa variar. A ressonância magnética com contraste é o exame mais preciso para caracterizar a lesão e diferenciá-la de outras massas hepáticas, como a hiperplasia nodular focal (HNF) e o hepatocarcinoma. O tratamento geralmente envolve a suspensão dos ACOs, com acompanhamento por imagem. Adenomas grandes (>5 cm) ou sintomáticos podem requerer ressecção cirúrgica devido ao risco de hemorragia e, em menor grau, de transformação maligna. É fundamental que residentes reconheçam essa condição em mulheres jovens com fatores de risco e saibam conduzir a investigação diagnóstica e o manejo adequado.
O uso prolongado de anticoncepcionais orais (ACOs) é o principal fator de risco para o desenvolvimento de adenomas hepáticos. Os estrogênios presentes nos ACOs estimulam o crescimento dos hepatócitos e a formação dessas lesões, que podem regredir com a suspensão do medicamento.
As principais complicações são a hemorragia intra-tumoral ou intraperitoneal (causando dor súbita e risco de choque), e a transformação maligna para hepatocarcinoma, embora esta seja menos comum. O risco de complicações aumenta com o tamanho do adenoma.
O adenoma deve ser diferenciado de hemangioma (geralmente hipervascular, sem risco de malignização) e hiperplasia nodular focal (HNF), que tipicamente apresenta uma cicatriz central e padrão vascular característico. A ressonância magnética com contraste é o exame de imagem de escolha para a diferenciação, além da biópsia em casos selecionados.
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