Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022
Mulher, 29 anos de idade, refere dor abdominal de forte intensidade, mais acentuada no hipocôndrio direito, de início súbito. Teve um episódio de vômito. Tem hipotireoidismo, obesidade e dislipidemia. Faz uso de anticoncepcional, levotiroxina e sinvastatina. Em exame de rotina, há 6 meses, foi evidenciado um nódulo hepático em ultrassonografia, que foi também avaliado por tomografia de abdome com os seguintes achados: lesão de 4,5 cm no segmento 5, bem delimitada e com captação periférica de contraste na fase precoce, e fluxo centrípeto na fase portal. Ao exame físico encontravase em bom estado geral, descorada, PA: 100x70 mmHg, FC: 85 bpm; abdome: flácido e doloroso à palpação profunda, sem irritação peritoneal. Exames laboratoriais: Hb: 9,7g/dL; Ht 30%; Leucograma: 11.485/mm³. Demais exames sem alterações. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Mulher jovem em uso de ACO com nódulo hepático e dor abdominal aguda + anemia → suspeitar de ruptura de adenoma hepático.
Adenomas hepáticos são lesões benignas mais comuns em mulheres jovens em uso de anticoncepcionais orais. Podem complicar com hemorragia ou ruptura, manifestando-se com dor abdominal aguda, hipotensão e anemia, o que exige atenção imediata.
O adenoma hepático é uma lesão benigna rara, predominantemente em mulheres jovens, fortemente associada ao uso de anticoncepcionais orais e esteroides anabolizantes. Sua importância clínica reside no risco de complicações graves, como hemorragia e ruptura, que podem ser fatais. A prevalência tem aumentado com o uso disseminado de contraceptivos hormonais. A fisiopatologia envolve a proliferação de hepatócitos sem arquitetura biliar organizada, influenciada por hormônios sexuais. O diagnóstico é frequentemente incidental, mas a suspeita surge em pacientes com dor abdominal aguda e fatores de risco. A tomografia e a ressonância magnética são essenciais para caracterização, embora o diagnóstico definitivo seja histopatológico. A presença de dor súbita, hipotensão e anemia em paciente com nódulo hepático conhecido sugere ruptura. O tratamento varia conforme o tamanho e o risco de complicação. Lesões pequenas podem ser acompanhadas, com suspensão dos anticoncepcionais. Lesões maiores (>5 cm) ou sintomáticas, ou com suspeita de ruptura, exigem intervenção, que pode ser cirúrgica (ressecção) ou embolização arterial para controle da hemorragia. O prognóstico é bom se a complicação for manejada prontamente.
O uso de anticoncepcionais orais é o principal fator de risco, especialmente em mulheres jovens. Outros fatores incluem obesidade e doenças metabólicas.
Adenomas podem ter padrões variados, mas a presença de gordura intralesional e ausência de cicatriz central são sugestivas. O contexto clínico é crucial para o diagnóstico diferencial.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, transfusão sanguínea se necessário e avaliação cirúrgica ou radiológica intervencionista para controle da hemorragia.
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