CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022
Paciente do sexo feminino, 42 anos, queixa dor abdominal de início súbito em hipocôndrio direito associada a mal-estar e tontura, há cerca de 2 horas. Nega episódios anteriores, febre, vômitos e sintomas urinários. Nega comorbidades e a única medicação que faz uso regular é de anticoncepcional oral há 20 anos. Apresenta-se em BEG, anictérica, hipocorada, FC: 110bpm, FR: 26irpm e P.A.: 90x70mmHg, que normalizaram após infusão em bolus de 1.000ml de Ringer Lactato. Seu abdome é plano, flácido, moderadamente doloroso à palpação do HD, sem irritação peritoneal. Leucograma normal, hemoglobina 7g/dl, hematócrito 22%. Demais exames laboratoriais normais. Foi submetida a tomografia de abdome que evidenciou fígado de aspecto homogêneo, lesão tumoral de 6cm em lobo direito do fígado com sinais de sangramento recente e moderada quantidade de líquido livre na cavidade abdominal. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:
Adenoma hepático + ACO + sangramento agudo → estabilizar e ressecar eletivamente por risco de malignização.
A paciente apresenta um quadro de choque hipovolêmico por sangramento de uma lesão hepática. O uso prolongado de anticoncepcionais orais é um fator de risco conhecido para adenomas hepáticos, que podem sangrar ou sofrer transformação maligna. A conduta inicial é estabilização hemodinâmica, seguida de investigação e tratamento definitivo.
O adenoma hepático é uma lesão benigna rara do fígado, mais comum em mulheres jovens e associada ao uso de anticoncepcionais orais (ACO). Sua importância clínica reside no risco de complicações graves, como sangramento espontâneo e, menos frequentemente, transformação maligna para carcinoma hepatocelular. A apresentação clínica pode variar desde achados incidentais até quadros agudos de dor abdominal e choque hipovolêmico devido à ruptura e sangramento. O diagnóstico é feito por exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que podem mostrar uma massa hepática com características específicas. Em casos de sangramento agudo, a TC com contraste é crucial para identificar a lesão e o extravasamento. A fisiopatologia está ligada à estimulação hormonal, que promove o crescimento dos hepatócitos. O tratamento de adenomas hepáticos depende do tamanho, sintomas e risco de complicações. Adenomas pequenos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados, com a recomendação de suspensão dos ACO. No entanto, lesões maiores que 5 cm, sintomáticas, com sangramento ou com características de alto risco para malignização (como mutações no gene HNF1A ou beta-catenina) geralmente requerem ressecção cirúrgica eletiva, após a estabilização do paciente em casos de sangramento agudo.
O uso prolongado de anticoncepcionais orais é o principal fator de risco para adenomas hepáticos, que podem complicar com sangramento ou transformação maligna.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica do paciente, com reposição volêmica e transfusão se necessário, antes de qualquer intervenção definitiva na lesão.
A ressecção é indicada para adenomas sintomáticos, maiores que 5 cm, com sangramento ou com características de alto risco para malignização, geralmente após a estabilização do quadro agudo.
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