USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Mulher, 26 anos, procura o cirurgião para avaliação de nódulo hepático em exame de rotina solicitado pelo seu ginecologista. Nega comorbidades, história familiar relevante ou etilismo. Usa anticoncepcional oral há 5 anos. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, sem estigmas de hepatopatia crônica, palpação abdominal sem alterações. Traz ressonância com contraste hepatoespecífico que evidenciou nódulo hipervascular bem delimitado em segmento 6 medindo 4,8 x 4,5 cm, com conteúdo gorduroso. Na fase hepatobiliar, não se observou a captação do meio contraste pela lesão. Assinale qual é o diagnóstico mais provável do nódulo da paciente e a melhor conduta.
Nódulo hepático hipervascular com conteúdo gorduroso e sem captação na fase hepatobiliar em usuária de ACO → Adenoma hepático; conduta inicial: suspender ACO e seguir.
O adenoma hepático é um tumor benigno associado ao uso de anticoncepcionais orais, caracterizado por ser hipervascular, poder conter gordura e não captar contraste na fase hepatobiliar na RM. A conduta inicial é a suspensão do ACO, com seguimento clínico e radiológico, e cirurgia reservada para lesões maiores ou sintomáticas.
O adenoma hepático é um tumor hepático benigno raro, mais comum em mulheres jovens em idade fértil, com uma forte associação ao uso de anticoncepcionais orais (ACO) e esteroides anabolizantes. Sua importância clínica reside no risco de complicações, como sangramento intra-tumoral e, mais raramente, transformação maligna em carcinoma hepatocelular. O diagnóstico diferencial com outras lesões hepáticas, como a hiperplasia nodular focal (HNF), é crucial. A ressonância magnética (RM) com contraste hepatoespecífico é o método de imagem de escolha para o diagnóstico e caracterização dos nódulos hepáticos. O adenoma tipicamente se apresenta como uma lesão hipervascular na fase arterial, podendo conter gordura, e, de forma característica, não apresenta captação do contraste na fase hepatobiliar (tardia), ao contrário da HNF que geralmente capta. A ausência de captação reflete a deficiência dos transportadores de ânions orgânicos nos hepatócitos do adenoma. A conduta inicial para um adenoma hepático, especialmente em mulheres jovens usuárias de ACO, é a suspensão imediata do anticoncepcional. Muitos adenomas regridem ou estabilizam de tamanho após essa medida. O seguimento clínico e radiológico (com RM) é recomendado. A intervenção cirúrgica (nodulectomia) é reservada para lesões maiores que 5 cm, lesões sintomáticas, crescimento rápido ou quando há suspeita de malignidade, devido ao maior risco de complicações.
O adenoma hepático geralmente se apresenta como um nódulo hipervascular, que pode conter gordura, e, crucialmente, não capta o contraste na fase hepatobiliar devido à ausência ou disfunção dos transportadores de ânions orgânicos (OATP) nos hepatócitos.
O uso prolongado de anticoncepcionais orais (ACO) é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de adenomas hepáticos, que são tumores benignos sensíveis a hormônios. A suspensão do ACO é a primeira linha de tratamento.
A cirurgia (nodulectomia) é geralmente indicada para adenomas hepáticos maiores que 5 cm, em casos de crescimento rápido, sintomas (dor, sangramento) ou quando há incerteza diagnóstica e suspeita de transformação maligna.
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