UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Mulher de 45 anos, sem comorbidades, foi submetida a colecistectomia videolaparoscópica para tratamento de colecistite aguda calculosa. O laudo histopatológico da vesícula biliar foi compatível com adenocarcinoma de vesícula biliar, com invasão até a camada muscular. Limite do ducto cístico foi negativo para malignidade. A conduta correta, nesse caso, é:
Adenocarcinoma de vesícula T1b (invade muscular) → Reintervenção: leito hepático + linfadenectomia.
Tumores de vesícula biliar que invadem a camada muscular (T1b) ou além, descobertos incidentalmente, exigem cirurgia radical complementar para garantir margens negativas e estadiamento linfonodal adequado.
O adenocarcinoma de vesícula biliar é a neoplasia mais comum da árvore biliar. O manejo depende estritamente do estadiamento T (TNM). Tumores T1a (mucosa) têm excelente prognóstico com colecistectomia isolada. A partir do T1b (muscular), a biologia tumoral torna-se mais agressiva. A reintervenção cirúrgica visa tratar a doença residual microscópica no leito hepático e nos linfonodos regionais. Estudos mostram que a linfadenectomia portal melhora a sobrevida e o controle regional em pacientes T1b e T2. Em casos de achado incidental, a revisão das imagens (TC ou RM) é necessária para descartar metástases a distância antes da reintervenção. A quimioterapia adjuvante (geralmente com Capecitabina, baseada no estudo BILCAP) é considerada para pacientes com linfonodos positivos ou margens comprometidas, mas a cirurgia radical permanece como o pilar do tratamento curativo.
A distinção é fundamental para o prognóstico e tratamento. O tumor T1a invade apenas a lâmina própria (mucosa). Nestes casos, a colecistectomia simples (mesmo que realizada por colelitíase) é considerada tratamento definitivo, com taxas de cura próximas a 100%. Já o tumor T1b invade a camada muscular. Devido à rica rede linfática e vascular nessa camada e à ausência de serosa na face hepática da vesícula, o risco de metástases linfonodais e recorrência local é significativamente maior, exigindo a ampliação da cirurgia com ressecção do leito hepático e linfadenectomia portal.
A reintervenção para o câncer de vesícula incidental (estádios T1b, T2 e T3) consiste na ressecção em bloco do leito hepático (segmentos IVb e V) ou uma hepatectomia regrada, associada à linfadenectomia do ligamento hepatoduodenal (linfonodos portais, celíacos e da artéria hepática). O objetivo é obter margens R0 e realizar um estadiamento linfonodal adequado (mínimo de 6 linfonodos). A ressecção da via biliar principal não é rotineira, sendo reservada para casos com comprometimento do ducto cístico ou suspeita de invasão direta do colédoco.
O câncer de vesícula biliar é frequentemente assintomático em estágios iniciais ou apresenta sintomas inespecíficos que mimetizam a colelitíase ou colecistite crônica. Por isso, cerca de 50% a 70% dos casos são diagnosticados apenas no exame histopatológico após uma colecistectomia realizada por doença benigna presumida. Isso reforça a importância do envio sistemático de todas as peças de colecistectomia para análise patológica, mesmo que a vesícula pareça macroscopicamente normal durante o ato cirúrgico.
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