HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2015
Paciente, 70 anos, sexo feminino, queixa-se de dor tipo cólica em hipocôndrio direito com quatro meses de evolução. Ao exame físico, encontra-se corada, anictérica e sem massas ou visceromegalias palpáveis em abdome. Fez ultrassonografia de abdome superior que mostra a vesícula biliar com paredes finas e três cálculos em seu interior sugerindo colelitíase. Submetida a uma colecistectomia laparoscópica, recebe alta hospitalar após 24 horas de internação. Sete dias depois, o laudo histopatológico mostra adenocarcinoma de vesícula biliar com o tumor invadindo a camada submucosa (T1a). A próxima etapa do tratamento desta paciente seria:
Adenocarcinoma de vesícula T1a pós-colecistectomia → Ressecção dos portais para evitar implantes.
O adenocarcinoma de vesícula biliar T1a (invasão da submucosa) tem um risco significativo de implantes tumorais nos sítios dos portais da laparoscopia. A ressecção desses portais é uma etapa crucial para o estadiamento e tratamento oncológico completo, visando a remoção de possíveis células tumorais disseminadas durante o procedimento inicial.
O adenocarcinoma de vesícula biliar é uma neoplasia agressiva, frequentemente diagnosticada em estágios avançados. No entanto, em alguns casos, como o T1a (tumor limitado à lâmina própria ou camada muscular), o diagnóstico pode ocorrer incidentalmente após uma colecistectomia realizada por colelitíase. O manejo desses casos exige uma abordagem oncológica cuidadosa, que difere da conduta para doença benigna. O estadiamento T1a, embora considerado precoce, ainda apresenta um risco de disseminação microscópica. A colecistectomia laparoscópica, embora minimamente invasiva, pode levar à implantação de células tumorais nos sítios dos portais. Por essa razão, a ressecção dos portais é recomendada como parte do tratamento oncológico completo, visando remover qualquer foco tumoral residual ou implante. Após a ressecção dos portais, o paciente deve ser acompanhado de perto. A necessidade de terapias adjuvantes (quimioterapia ou radioterapia) é geralmente considerada para estágios mais avançados (T1b ou superior) ou em casos de margens comprometidas. Para o T1a com margens livres e portais ressecados, a observação pode ser suficiente, mas a decisão deve ser individualizada e discutida em equipe multidisciplinar.
O estadiamento T1a indica que o tumor invadiu apenas a lâmina própria ou a camada muscular, sem atingir a serosa. Embora seja um estágio inicial, ainda há risco de disseminação, especialmente após manipulação cirúrgica.
A ressecção dos portais é indicada devido ao risco de implantes tumorais nos locais de inserção dos trocateres durante a colecistectomia laparoscópica, mesmo em estágios iniciais como o T1a, visando a erradicação de células malignas.
Após a ressecção dos portais, o material é enviado para análise histopatológica. A conduta subsequente dependerá do resultado, podendo incluir observação ou, em casos de doença residual, consideração de terapias adjuvantes ou re-estadiamento.
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