SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020
Paciente de 40 anos, com prole constituída, com diagnóstico de adenocarcinoma in situ de colo uterino com margens livres em conização. Qual é a próxima conduta?
Adenocarcinoma in situ cervical com margens livres em conização, em paciente com prole constituída → histerectomia simples.
Em pacientes com adenocarcinoma in situ de colo uterino, especialmente aquelas com prole já constituída e margens livres após conização, a histerectomia simples é a conduta definitiva e mais apropriada. A conização é diagnóstica e terapêutica, mas a histerectomia oferece a remoção completa do útero, eliminando o risco de doença residual ou recorrência no colo uterino remanescente.
O adenocarcinoma in situ (AIS) de colo uterino é uma lesão precursora do adenocarcinoma invasivo, caracterizada pela proliferação de células glandulares atípicas confinadas à membrana basal. Sua prevalência tem aumentado, e o diagnóstico é feito por biópsia após achados anormais em exames de rastreamento. É crucial para residentes compreenderem o manejo adequado, pois difere do carcinoma escamoso in situ em alguns aspectos. A conização cervical é o procedimento diagnóstico e terapêutico inicial para o AIS. No entanto, devido à natureza multifocal do AIS e à sua tendência de envolver as criptas glandulares mais profundamente, a avaliação das margens é particularmente importante. Mesmo com margens livres, há um risco de doença residual ou recorrência, o que torna a conduta subsequente um ponto chave. Para pacientes com prole constituída e AIS com margens livres após conização, a histerectomia simples é a conduta de escolha, oferecendo a erradicação completa da doença e minimizando o risco de recorrência. Em mulheres que desejam preservar a fertilidade, a conização com margens livres e acompanhamento rigoroso pode ser uma opção, mas exige uma avaliação cuidadosa e individualizada dos riscos e benefícios.
Margens livres na conização indicam que todo o tecido lesional visível foi removido, o que é um bom prognóstico. No entanto, para adenocarcinoma in situ, devido à sua natureza multifocal e potencial de extensão para as criptas glandulares, a histerectomia é frequentemente recomendada mesmo com margens livres em pacientes com prole constituída.
A conização pode ser considerada tratamento definitivo para adenocarcinoma in situ apenas em pacientes jovens que desejam preservar a fertilidade, desde que as margens sejam amplas e livres, e haja acompanhamento rigoroso. Nesses casos, a decisão é individualizada e exige discussão detalhada dos riscos e benefícios.
A histerectomia simples remove o útero e o colo uterino. A cirurgia de Wertheim (histerectomia radical) é um procedimento mais extenso que remove o útero, colo, paramétrios, terço superior da vagina e linfonodos pélvicos, sendo indicada para câncer cervical invasivo, não para lesões in situ.
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