Adenocarcinoma In Situ (AIS) do Colo Uterino: Conduta e Conização

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 41a, G3P3A0C0, menstruação regular, laqueada, nega comorbidades, retorna com resultado de exames após citologia oncótica com presença de células glandulares atípicas, sem outras especificações; Exame ginecológico: colposcopia adequada com zona de transformação tipo 2 e epitélio acetobranco denso adentrando canal endocervical; toque vaginal: colo fibroelástico medindo 3cm, útero ântero-verso fletido, móvel e indolor, de tamanho, forma e consistência normais, anexos não palpáveis; ultrassonografia transvaginal: sem alterações, com linha endometrial de 12mm, compatível com a fase do ciclo menstrual. Biópsia: adenocarcinoma in situ. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Solicitar teste de HPV para determinação de tipo oncogênico.
  2. B) Realizar conização de colo uterino.
  3. C) C) Solicitar biópsia de endométrio.
  4. D) Realizar histerectomia total.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma in situ (AIS) de colo uterino → Conização para diagnóstico e tratamento, com margens livres.

Resumo-Chave

O adenocarcinoma in situ (AIS) do colo uterino é uma lesão precursora do adenocarcinoma invasivo. A conização é a conduta padrão, pois permite a remoção da lesão com margens livres, servindo tanto para diagnóstico definitivo quanto para tratamento, especialmente quando a zona de transformação adentra o canal endocervical.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma in situ (AIS) do colo uterino é uma lesão precursora do adenocarcinoma invasivo, caracterizada pela proliferação de células glandulares atípicas que não invadem o estroma. Sua incidência tem aumentado, e o diagnóstico é desafiador, muitas vezes iniciado por achados de células glandulares atípicas (AGC) na citologia oncótica. A importância clínica reside na sua capacidade de progredir para câncer invasivo, necessitando de diagnóstico e tratamento precisos. A fisiopatologia do AIS está fortemente associada à infecção persistente por subtipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV), especialmente o HPV-18. O diagnóstico envolve a citologia, colposcopia com biópsias direcionadas e, frequentemente, curetagem endocervical. A colposcopia pode ser desafiadora, pois as lesões glandulares podem estar localizadas mais profundamente no canal endocervical, fora da visualização direta, especialmente em zonas de transformação tipo 2 ou 3. A conduta padrão para o adenocarcinoma in situ é a conização do colo uterino, que consiste na remoção de um cone de tecido cervical. Este procedimento é tanto diagnóstico (para excluir invasão) quanto terapêutico, com o objetivo de obter margens livres de doença. O acompanhamento pós-conização é rigoroso, com citologias e, por vezes, colposcopias e testes de HPV. A histerectomia total pode ser uma opção em casos de margens comprometidas, doença persistente ou para mulheres que não desejam mais gestar, mas a conização é a primeira escolha para preservação da fertilidade.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da conização no tratamento do adenocarcinoma in situ do colo uterino?

A conização é fundamental porque permite a remoção completa da lesão com margens cirúrgicas adequadas, servindo tanto como método diagnóstico definitivo para excluir invasão quanto como tratamento curativo, especialmente em casos de AIS.

Quando a histerectomia total seria uma opção para adenocarcinoma in situ?

A histerectomia total pode ser considerada em casos de margens cirúrgicas comprometidas após a conização, em pacientes que não desejam mais gestar ou em situações onde a conização não foi suficiente para erradicar a lesão.

Qual a relação entre células glandulares atípicas na citologia e o adenocarcinoma in situ?

A presença de células glandulares atípicas (AGC) na citologia oncótica é um achado que exige investigação aprofundada, pois pode indicar lesões glandulares de alto grau, incluindo o adenocarcinoma in situ ou mesmo adenocarcinoma invasivo, necessitando de colposcopia e biópsias direcionadas.

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