Câncer de Cólon Obstrutivo: Manejo do Adenocarcinoma de Sigmoide

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 80 anos, identifica-se adenocarcinoma de sigmoide subestenosante.Tomografia completa do abdome mostra espessamento segmentar e abrupto de cólon sigmoide, com possível microperfuração, distensão gasosa do cólon e discreta coprostase; não há distensão de alças de delgado; não há invasão de órgãos adjacentes ou evidências de doença metastática.Exames laboratoriais: Hb: 11,0 g/dL. CEA: 10 mg/dL e restante sem alteraçõesAssinale a alternativa que expressa a conduta recomendada nesta situação.

Alternativas

  1. A) Inicia-se o preparo de cólon lento com 500 mL de manitol a 10% para a ressecção e anastomose primária.
  2. B) Realiza-se a passagem de prótese endoscópica recoberta através de radioscopia + colonoscopia após limpeza mecânica do cólon.
  3. C) A cirurgia de Hartmann constitui adequada conduta cirúrgica.
  4. D) Está indicado o tratamento neoadjuvante para reduzir a recidiva local.
  5. E) Observar clinicamente por 48 horas.

Pérola Clínica

Obstrução por adenocarcinoma de sigmoide com microperfuração → Cirurgia de Hartmann é a conduta cirúrgica adequada.

Resumo-Chave

Em casos de obstrução intestinal por câncer colorretal com sinais de complicação como microperfuração, a cirurgia de Hartmann é frequentemente a opção mais segura. Ela consiste na ressecção do segmento afetado, fechamento do reto distal e colostomia terminal, evitando anastomose primária em um cólon não preparado e potencialmente contaminado.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de sigmoide subestenosante, especialmente quando complicado por microperfuração, representa um desafio clínico significativo. A obstrução intestinal por câncer colorretal é uma emergência cirúrgica que exige avaliação rápida e decisão terapêutica. A presença de microperfuração indica um risco aumentado de peritonite e sepse, tornando o manejo mais complexo e a escolha da técnica cirúrgica crucial para o prognóstico do paciente. Fisiopatologicamente, a obstrução leva à distensão do cólon proximal, aumento da pressão intraluminal e comprometimento da vascularização da parede intestinal, predispondo à isquemia e perfuração. O diagnóstico é feito por tomografia computadorizada, que pode revelar a localização da obstrução, sinais de perfuração (gás extraluminal, líquido livre) e estadiamento da doença. A avaliação laboratorial é importante para verificar o estado geral do paciente e a presença de anemia. A conduta cirúrgica em casos de obstrução complicada por microperfuração geralmente envolve a ressecção do segmento tumoral e a realização de uma cirurgia de Hartmann. Esta técnica, que consiste na colostomia terminal e fechamento do coto retal, é considerada segura por evitar a anastomose primária em um ambiente contaminado e inflamado, minimizando o risco de deiscência e peritonite. O tratamento neoadjuvante não é indicado em situações de emergência obstrutiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme de um câncer colorretal obstrutivo?

Sinais de alarme incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal (constipação progressiva) e, em casos avançados, sinais de perfuração ou peritonite.

Por que a cirurgia de Hartmann é preferível em casos de obstrução complicada?

A cirurgia de Hartmann é preferível porque evita a anastomose primária em um cólon dilatado, edemaciado e potencialmente contaminado, reduzindo o risco de deiscência da anastomose e complicações infecciosas graves, como peritonite fecal.

Quando a passagem de prótese endoscópica é uma opção em câncer de cólon obstrutivo?

A prótese endoscópica pode ser uma ponte para a cirurgia eletiva em pacientes estáveis, ou como tratamento paliativo em pacientes com doença metastática e expectativa de vida limitada, mas é contraindicada em casos de perfuração ou peritonite.

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