Câncer de Reto: Quimiorradioterapia Neoadjuvante e Cirurgia

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 62 anos, previamente hígida, apresenta sangramento retal vivo e espontâneo. Refere ainda tenesmo. Nega perda de peso. Ao toque, tumoração a 5-6 cm da margem anal. Biópsia evidenciou adenocarcinoma bem diferenciado. Avaliando-se a ressonância magnética abaixo, deve-se propor idealmente o seguinte tratamento:

Alternativas

  1. A) amputação abdominoperineal de reto e radioterapia pós-operatória.
  2. B) ressecção anterior de reto como tratamento único.
  3. C) quimio e radioterapia curativas (sem cirurgia).
  4. D) quimio e radioterapia pré-operatórias, seguidas de cirurgia.
  5. E) quimioterapia com bevacizumab e watch and wait.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma de reto médio/inferior → Quimiorradioterapia neoadjuvante + Cirurgia.

Resumo-Chave

Para adenocarcinomas de reto localmente avançados (especialmente em reto médio e inferior, como indicado pela tumoração a 5-6 cm da margem anal), a quimiorradioterapia neoadjuvante é o tratamento padrão. Ela visa reduzir o tumor, esterilizar margens e diminuir o risco de recidiva local antes da cirurgia.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de reto é uma neoplasia maligna comum do trato gastrointestinal inferior, com o reto sendo a porção final do intestino grosso. O manejo dessa doença é complexo e multidisciplinar, envolvendo cirurgiões, oncologistas clínicos e radioterapeutas. A localização do tumor em relação à margem anal (reto superior, médio ou inferior) é um fator determinante na escolha do tratamento, influenciando tanto a técnica cirúrgica quanto a necessidade de terapias neoadjuvantes. Para tumores de reto médio e inferior, especialmente aqueles localmente avançados (T3/T4 ou N+), a quimiorradioterapia pré-operatória (neoadjuvante) tornou-se o padrão-ouro de tratamento. Essa abordagem visa reduzir o volume tumoral, esterilizar micrometástases, diminuir o risco de recidiva local e aumentar a probabilidade de uma ressecção cirúrgica com margens livres (R0), o que impacta diretamente o prognóstico do paciente. A avaliação por ressonância magnética de alta resolução é crucial para o estadiamento preciso e planejamento terapêutico. Após a quimiorradioterapia, geralmente há um período de espera para permitir a regressão tumoral antes da cirurgia. A cirurgia pode variar desde uma ressecção anterior de reto (com ou sem confecção de estoma temporário) até uma amputação abdominoperineal, dependendo da resposta ao tratamento e da possibilidade de preservação esfincteriana. O tratamento é individualizado, considerando as características do tumor e do paciente, buscando o melhor resultado oncológico e funcional.

Perguntas Frequentes

Por que a quimiorradioterapia pré-operatória é indicada para adenocarcinoma de reto?

A quimiorradioterapia neoadjuvante é indicada para reduzir o tamanho do tumor, esterilizar as margens cirúrgicas, diminuir o risco de recidiva local e aumentar a probabilidade de uma ressecção cirúrgica com margens livres (R0), especialmente em tumores de reto médio e inferior.

Quais são as opções cirúrgicas para o câncer de reto?

As opções incluem a ressecção anterior de reto (baixa ou ultrabaixa), que preserva o esfíncter, e a amputação abdominoperineal, que resulta em colostomia permanente, dependendo da localização e invasão do tumor.

Qual o papel da ressonância magnética no estadiamento do câncer de reto?

A ressonância magnética pélvica é fundamental para o estadiamento local do câncer de reto, avaliando a profundidade da invasão tumoral, o envolvimento do mesorreto, a distância para a fáscia mesorretal e o status dos linfonodos, orientando a decisão terapêutica.

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