UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Mulher, 57 anos, com alteração do habito intestinal e com hematoquezia, foi submetida a colonoscopia e ressonância de pelve que identificaram adenocarcinoma bem diferenciado de reto a 1 cm da linha pectínea, T3N1. A melhor conduta, nesse caso é:
Adenocarcinoma de reto baixo (T3N1) → Quimiorradioterapia neoadjuvante para downstaging e preservação esfincteriana.
Em câncer de reto médio e baixo (especialmente T3N1), a quimiorradioterapia neoadjuvante é a conduta inicial padrão. Ela visa reduzir o tumor (downstaging), aumentar as chances de ressecção R0 e, crucialmente, permitir a preservação esfincteriana, melhorando a qualidade de vida do paciente.
O adenocarcinoma de reto, especialmente quando localizado no reto baixo (a 1 cm da linha pectínea) e com estadiamento avançado como T3N1, representa um desafio terapêutico significativo. A proximidade com o esfíncter anal torna a preservação da função anorretal uma prioridade, sem comprometer a radicalidade oncológica. O estadiamento preciso, frequentemente realizado com ressonância magnética de pelve, é fundamental para guiar a conduta. A abordagem padrão para tumores de reto médio e baixo com estadiamento T3 ou N positivo é a terapia neoadjuvante, que consiste em quimioterapia e radioterapia antes da cirurgia. O objetivo principal dessa terapia é promover o "downstaging" (redução do tamanho e estadiamento do tumor), aumentar as chances de uma ressecção cirúrgica completa (margens R0) e, crucialmente, permitir a preservação esfincteriana, evitando uma colostomia permanente e melhorando a qualidade de vida do paciente. Após a conclusão da quimiorradioterapia neoadjuvante, é realizado um reestadiamento para avaliar a resposta tumoral. Com base nesse reestadiamento, a decisão sobre o tipo de cirurgia a ser realizada é tomada. As opções variam desde ressecções com preservação esfincteriana até, em casos selecionados de resposta completa, a observação ativa (watch and wait) ou, em situações de falha terapêutica ou invasão esfincteriana persistente, a amputação abdominoperineal.
A quimiorradioterapia neoadjuvante é crucial para reduzir o tamanho do tumor (downstaging), esterilizar margens e linfonodos, aumentar a taxa de ressecção R0 e, principalmente, possibilitar a preservação esfincteriana em tumores de reto baixo.
T3 indica que o tumor invadiu a camada muscular própria e o tecido perirretal, mas não a fáscia própria do reto. N1 significa que há metástase em 1 a 3 linfonodos regionais.
Após a terapia neoadjuvante e reestadiamento, as opções cirúrgicas podem incluir ressecção anterior baixa com anastomose colorretal (com ou sem ileostomia de proteção) ou, em casos de resposta incompleta ou invasão esfincteriana persistente, a amputação abdominoperineal.
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