MedEvo Simulado — Prova 2026
Antônio, um paciente de 64 anos, procura atendimento médico queixando-se de mudança recente no hábito intestinal há cerca de quatro meses, caracterizada por constipação progressiva e episódios esporádicos de eliminação de muco e sangue vivo misturado às fezes. Relata também sensação de evacuação incompleta (tenesmo) e perda ponderal de 5 kg no período. Durante a investigação, uma colonoscopia identificou uma lesão vegetante, friável e parcialmente estenosante localizada a 10 cm da margem anal. O restante do exame do cólon não apresentou outras alterações macroscópicas. A biópsia da lesão confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma moderadamente diferenciado. Após a confirmação histológica, a conduta inicial mais adequada para o estadiamento e planejamento terapêutico deste paciente é:
Câncer de reto → RM de pelve (estadiamento local) + CT tórax/abdome (metástases).
O estadiamento do câncer de reto exige avaliação local precisa com RM de pelve para avaliar a fáscia mesorretal e avaliação sistêmica com CT para descartar metástases a distância.
O câncer de reto possui particularidades anatômicas que o distinguem do câncer de cólon, principalmente pela sua localização extraperitoneal abaixo da reflexão peritoneal. O plano de ressecção cirúrgica padrão-ouro é a Excisão Total do Mesorreto (ETM), que remove o tumor junto com seu envelope linfonodal e gorduroso. O sucesso da ETM depende da integridade da fáscia mesorretal, que deve ser avaliada pré-operatoriamente pela RM. Além da avaliação local, o estadiamento sistêmico é obrigatório para identificar metástases, sendo a TC de tórax e abdome o padrão. Diferente do cólon, o reto inferior drena parcialmente para a veia cava (via veias ilíacas), o que pode levar a metástases pulmonares sem necessariamente passar pelo fígado. O manejo multidisciplinar, envolvendo cirurgiões, oncologistas e radiologistas, é essencial para otimizar o prognóstico do paciente.
A RM de pelve oferece melhor resolução de contraste para tecidos moles, permitindo avaliar com precisão a profundidade da invasão tumoral (T), o envolvimento da fáscia mesorretal (margem de ressecção circunferencial) e a presença de linfonodos suspeitos (N). Essa avaliação é crucial para a decisão entre cirurgia direta ou terapia neoadjuvante, algo que a TC de abdome não consegue realizar com a mesma acurácia para o reto.
O Antígeno Carcinoembrionário (CEA) não deve ser utilizado para diagnóstico devido à sua baixa especificidade. No entanto, sua dosagem pré-operatória é fundamental para estabelecer um valor basal. Se elevado inicialmente, ele serve como um excelente marcador para o seguimento pós-operatório, auxiliando na detecção precoce de recidivas tumorais durante o acompanhamento clínico.
A quimiorradioterapia neoadjuvante é geralmente indicada para tumores de reto médio e baixo que são classificados como estádios II (T3/T4 N0) ou III (qualquer T com N+). O objetivo é promover o 'downstaging' (redução do tamanho e estágio tumoral), aumentar as taxas de ressecção com margens livres e possibilitar a preservação do esfíncter anal em lesões baixas.
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