Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Homem de 62 anos, tabagista, apresenta massa endurecida em reto médio, sangramento e perda de peso. Colonoscopia: lesão estenosante a 8 cm da borda anal, biópsia confirmando adenocarcinoma. Estadiamento: T3N1MO. Qual é a conduta padrão segundo diretrizes oncológicas brasileiras?
Reto extraperitoneal T3/T4 ou N+ → Neoadjuvância (QT/RT) + Cirurgia (ETM).
O tratamento do câncer de reto médio/inferior localmente avançado exige quimiorradioterapia neoadjuvante para reduzir o estadiamento e o risco de recidiva local antes da ressecção cirúrgica.
O adenocarcinoma de reto médio (8 cm da borda anal) estadiado como T3N1M0 é classificado como câncer de reto localmente avançado. Segundo as diretrizes da ASCO, ESMO e consensos brasileiros, o tratamento multimodal é obrigatório. A neoadjuvância com 5-Fluorouracil (ou Capecitabina) associada à radioterapia (45-50,4 Gy) visa a redução da massa tumoral e esterilização de micrometástases linfonodais. A cirurgia deve ocorrer geralmente 8 a 12 semanas após o término da neoadjuvância, permitindo a resposta tecidual máxima. A técnica de escolha é a ressecção anterior baixa com anastomose colorretal ou coloanal, sempre acompanhada da excisão total do mesorreto (ETM). A preservação dos nervos autonômicos pélvicos é uma prioridade para manter as funções urinária e sexual do paciente.
A quimiorradioterapia neoadjuvante é indicada para tumores de reto médio e inferior que ultrapassam a muscular da mucosa (T3/T4) ou apresentam linfonodos positivos (N+). O objetivo principal é o controle local da doença, reduzindo as taxas de recidiva pélvica, além de possibilitar o 'downstaging' e, em alguns casos, aumentar as chances de preservação esfincteriana em tumores muito baixos.
A ETM consiste na remoção completa do tecido adiposo e linfonodal que envolve o reto (mesorreto), envolto pela fáscia retal. É o padrão-ouro cirúrgico, pois a maioria das recorrências locais ocorre por depósitos tumorais ou linfonodos residuais nesse compartimento. Sua execução precisa reduz drasticamente a recidiva local de 30% para menos de 10%.
Tumores de reto superior (acima de 10-12 cm da borda anal) comportam-se de forma semelhante ao cólon, sendo frequentemente tratados com cirurgia primária. Já o reto médio e inferior (abaixo de 10 cm), por estarem abaixo da reflexão peritoneal e em uma pelve estreita, exigem neoadjuvância se houver invasão da gordura perirretal ou linfonodos acometidos.
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