Adenocarcinoma de Reto Baixo: Neoadjuvância e Cirurgia

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente apresenta tenesmo progressivo, anemia e diarreia. Sem evidência de doença hepática ou pulmonar, realizou retossigmoidoscopia flexível, que visualizou tumoração retal de 12cm, a 8cm da margem anal. O resultado da biópsia confirmou adenocarcinoma de reto. Nesse caso, o paciente poderá ser considerado apto para realizar:

Alternativas

  1. A) ressecção abdominoperineal do reto e radioterapia adjuvante
  2. B) radioterapia neoadjuvante e ressecção anterior de reto
  3. C) colostomia com quimioterapia paliativa
  4. D) retossigmoidectomia sem adjuvância

Pérola Clínica

Adenocarcinoma de reto baixo (<12cm da margem anal) → Neoadjuvância (radio/quimio) + Ressecção anterior.

Resumo-Chave

Tumores de reto localizados a menos de 12 cm da margem anal, especialmente os mais baixos, se beneficiam de terapia neoadjuvante (quimio e/ou radioterapia) para reduzir o tamanho do tumor, permitir cirurgia preservadora de esfíncter e diminuir a taxa de recidiva local.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de reto é uma neoplasia maligna que afeta a porção final do intestino grosso. A localização do tumor em relação à margem anal é um fator determinante para a estratégia terapêutica, especialmente para tumores de reto baixo (até 12 cm da margem anal), que representam um desafio devido à proximidade com o aparelho esfincteriano. A propedêutica inclui retossigmoidoscopia com biópsia para confirmação histopatológica e exames de imagem (ressonância magnética pélvica, tomografia de tórax e abdome) para estadiamento. Para tumores de reto baixo, a terapia neoadjuvante, que pode incluir radioterapia isolada ou quimiorradioterapia, é a abordagem padrão. Ela visa reduzir o tamanho do tumor, diminuir o risco de recidiva local e aumentar a chance de uma cirurgia preservadora de esfíncter. Após a neoadjuvância, o paciente é reavaliado para a cirurgia. A ressecção anterior de reto é o procedimento preferencial quando a preservação do esfíncter é possível, permitindo a anastomose e evitando uma colostomia definitiva. Em casos selecionados, com resposta completa à neoadjuvância, a abordagem "watch and wait" pode ser considerada, mas exige acompanhamento rigoroso.

Perguntas Frequentes

Por que a radioterapia neoadjuvante é indicada para adenocarcinoma de reto baixo?

A radioterapia neoadjuvante é indicada para tumores de reto localizados a menos de 12 cm da margem anal para reduzir o tamanho do tumor, esterilizar margens, diminuir a taxa de recidiva local e aumentar a chance de uma cirurgia preservadora de esfíncter.

Qual a diferença entre ressecção anterior de reto e ressecção abdominoperineal?

A ressecção anterior de reto é uma cirurgia que permite a preservação do esfíncter anal e a confecção de uma anastomose colorretal. A ressecção abdominoperineal (cirurgia de Miles) é realizada quando a preservação esfincteriana não é possível, resultando em colostomia definitiva.

Quais são os sintomas comuns do adenocarcinoma de reto?

Os sintomas comuns incluem tenesmo (sensação de evacuação incompleta), alteração do hábito intestinal (diarreia ou constipação), sangramento retal, anemia e dor abdominal ou pélvica.

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