Câncer de Reto Baixo: Estadiamento e Tratamento Neoadjuvante

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 62 anos de idade, em consulta ambulatorial com queixa de fezes afiladas, por vezes também com sangue e perda de peso de 7kg no último ano. Realizou colonoscopia completa, que evidenciou lesão ulcerada, ocupando 50% da luz do reto, a 6cm da borda anal. Estadiamento com ressonância magnética da pelve mostrou lesão restrita ao reto, com linfonodos aumentados em mesorreto. Tomografia de tórax e abdômen superior sem sinais de doença metastática. Biópsia da lesão revelou tratar-se de adenocarcinoma moderadamente diferenciado. Em relação ao caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O tratamento indicado, nesse momento, é iniciar com quimioterapia e radioterapia neoadjuvante, seguindo de novo estadiamento, conforme as evidências.
  2. B) Trata-se de neoplasia maligna do reto, sem metástases. Deve-se prosseguir, imediatamente, com retossigmoidectomia, linfadenectomia e anastomose primária.
  3. C) Trata-se de lesão de reto baixo, sem possibilidade de preservação esfincteriana. Dessa forma, a cirurgia indicada é a amputação abdominoperineal do reto.
  4. D) Nas neoplasias do reto, a excisão total do mesorreto deve ser realizada apenas nos casos em que há suspeita de comprometimento dos linfonodos, pelos exames pré-operatórios de imagem.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma de reto baixo com linfonodos → Quimiorradioterapia neoadjuvante para downstaging.

Resumo-Chave

Em câncer de reto médio e baixo com linfonodos positivos ou invasão T3/T4, a terapia neoadjuvante (quimiorradioterapia) é padrão para reduzir o tumor, esterilizar linfonodos e aumentar a chance de ressecção R0 e preservação esfincteriana.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de reto é uma neoplasia maligna comum, e seu manejo depende do estadiamento preciso. A localização do tumor (reto alto, médio ou baixo) e o envolvimento de estruturas adjacentes e linfonodos regionais são fatores determinantes para a escolha terapêutica. A apresentação clínica pode incluir sangramento retal, alteração do hábito intestinal, dor e perda de peso, exigindo investigação com colonoscopia. O estadiamento do câncer de reto é multifacetado, utilizando exames de imagem como a ressonância magnética da pelve para avaliar a extensão local e a tomografia de tórax e abdômen para descartar metástases à distância. Tumores de reto médio e baixo, especialmente aqueles com invasão da parede retal (T3/T4) ou linfonodos positivos (N+), são considerados localmente avançados e se beneficiam da terapia neoadjuvante. A quimiorradioterapia neoadjuvante é a abordagem padrão para esses casos, visando o downstaging do tumor e a esterilização dos linfonodos, o que aumenta as taxas de ressecção R0 e a possibilidade de preservação esfincteriana. Após a neoadjuvância, um novo estadiamento é realizado para reavaliar a resposta e planejar a cirurgia definitiva, que frequentemente envolve a excisão total do mesorreto.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para adenocarcinoma de reto?

Sinais de alerta incluem alteração do hábito intestinal (fezes afiladas), sangramento retal, tenesmo, dor abdominal e perda de peso inexplicada. A colonoscopia com biópsia é fundamental para o diagnóstico.

Por que a quimiorradioterapia neoadjuvante é indicada para câncer de reto localmente avançado?

A terapia neoadjuvante visa reduzir o tamanho do tumor (downstaging), esterilizar linfonodos regionais e diminuir o risco de recorrência local. Isso aumenta as chances de uma cirurgia curativa (R0) e, em alguns casos, permite a preservação do esfíncter.

Qual a importância da ressonância magnética da pelve no estadiamento do câncer de reto?

A RM da pelve é crucial para avaliar a profundidade da invasão tumoral na parede retal, o envolvimento do mesorreto e a presença de linfonodos suspeitos. Essas informações são essenciais para o planejamento terapêutico, especialmente para definir a necessidade de neoadjuvância.

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