UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024
Paciente de 63 anos, com alteração do hábito intestinal há 8 meses e que apresenta dor intensa para evacuar, além de acordar algumas vezes com dor na região anal como se fosse uma fisgada. Foi ao PAMO e foi tratado como hemorroidas, com o uso de policresuleno sem melhora. Ao exame retal, foi encontrada lesão vegetante e ulcerada à 6 cm da margem anal, de 3 cm de diâmetro. O anátomo patológico esperado e a conduta inicial para tratamento são:
Lesão retal vegetante + alteração hábito intestinal + dor → Adenocarcinoma de reto → neoadjuvância (QT/RT) + cirurgia.
Paciente idoso com alteração do hábito intestinal, dor anal intensa e lesão vegetante/ulcerada no reto deve levantar forte suspeita de adenocarcinoma. O tratamento padrão para câncer de reto localmente avançado envolve quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes para reduzir o tumor e melhorar os resultados cirúrgicos, seguida pela ressecção cirúrgica.
O adenocarcinoma de reto é uma neoplasia maligna que se origina na mucosa retal, sendo uma das formas mais comuns de câncer colorretal. Sua incidência aumenta com a idade, e fatores de risco incluem histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais e síndromes genéticas. Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como alteração do hábito intestinal, sangramento retal e dor, o que pode atrasar o diagnóstico se confundidos com condições benignas como hemorroidas. A fisiopatologia envolve a transformação maligna das células epiteliais do reto, frequentemente a partir de pólipos adenomatosos. O diagnóstico é estabelecido por meio de exame proctológico (toque retal e retossigmoidoscopia), biópsia da lesão e estudo anatomopatológico. O estadiamento completo, que inclui tomografia de tórax, abdome e pelve, além de ressonância magnética da pelve, é fundamental para definir a extensão da doença e planejar o tratamento. O tratamento do adenocarcinoma de reto é multimodal e depende do estadiamento. Para tumores localmente avançados, a abordagem padrão inclui terapia neoadjuvante com radioterapia e quimioterapia antes da cirurgia. Essa estratégia visa reduzir o tamanho do tumor, diminuir o risco de recidiva local e, em alguns casos, possibilitar a preservação do esfíncter. Após a neoadjuvância, a cirurgia (ressecção anterior do reto ou amputação abdominoperineal) é realizada, seguida, em alguns casos, por quimioterapia adjuvante.
Sinais de alerta incluem alteração persistente do hábito intestinal (diarreia, constipação, afilamento das fezes), sangramento retal, dor ao evacuar (tenesmo), sensação de evacuação incompleta e perda de peso inexplicada, especialmente em pacientes acima de 50 anos.
A terapia neoadjuvante (quimioterapia e radioterapia antes da cirurgia) é crucial para tumores de reto localmente avançados, pois ajuda a reduzir o tamanho do tumor, esterilizar margens, diminuir o risco de recidiva local e, em alguns casos, permitir cirurgias menos invasivas.
Embora ambos possam causar sangramento e dor anal, o adenocarcinoma de reto geralmente se associa a alterações persistentes do hábito intestinal, dor que não melhora com tratamentos conservadores e, ao exame, uma lesão vegetante ou ulcerada, diferente das hemorroidas.
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