Adenocarcinoma em Pólipo: Conduta Pós-Polipectomia Curativa

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 52 anos, relata hematoquezia há 30 dias, sem outros sintomas, procurou atendimento em que foi submetido ao exame clínico e realizada colonoscopia. A colonoscopia identificou lesão polipoide pediculada de 2 cm em cólon sigmoide; realizada polipectomia e anatomopatológico revelou adenocarcinoma bem diferenciado em adenoma viloso, na cabeça do pólipo, sem invasão angiolinfática e margens livres. A respeito desse caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O caso descrito classifica-se como Haggitt 3.
  2. B) Considera-se o paciente tratado, estando indicado apenas controle colonoscópico.
  3. C) O paciente deverá ser submetido à Retossigmoi- dectomia para representação linfonodal.
  4. D) O paciente deverá ser submetido a tratamento adjuvante.
  5. E) O caso descrito classifica-se como Haggitt 2.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma em pólipo pediculado com Haggitt 1-3, margens livres e sem invasão angiolinfática = polipectomia curativa.

Resumo-Chave

A alternativa B está correta. O caso descreve um adenocarcinoma bem diferenciado em pólipo pediculado, sem invasão angiolinfática e com margens livres. Essas características, especialmente se a invasão for Haggitt 1 ou 2 (cabeça ou colo do pólipo), indicam que a polipectomia foi curativa, e o paciente pode ser apenas acompanhado com colonoscopia de controle.

Contexto Educacional

A detecção de adenocarcinoma em um pólipo colorretal pediculado após polipectomia endoscópica é um cenário clínico comum que exige uma avaliação cuidadosa para determinar a conduta subsequente. A decisão entre considerar o paciente tratado ou indicar uma cirurgia mais radical depende de critérios histopatológicos rigorosos, que avaliam o risco de doença residual ou metástase linfonodal. Os principais fatores prognósticos a serem considerados incluem o grau de diferenciação do tumor, a presença de invasão angiolinfática (vasos sanguíneos ou linfáticos), o status das margens de ressecção e o nível de invasão submucosa, frequentemente classificado pela escala de Haggitt para pólipos pediculados. A classificação de Haggitt varia de 1 (invasão limitada à cabeça do pólipo) a 4 (invasão além do pedículo, na submucosa da parede intestinal). No caso descrito, o paciente apresenta um adenocarcinoma bem diferenciado na cabeça do pólipo (o que corresponderia a Haggitt 1 ou 2), sem invasão angiolinfática e com margens livres. Esses são critérios favoráveis que, em conjunto, indicam que a polipectomia endoscópica foi provavelmente curativa. Nesses cenários de baixo risco, a conduta padrão é o acompanhamento com colonoscopias de vigilância, sem a necessidade de cirurgia radical (como retossigmoidectomia) ou tratamento adjuvante, que seriam intervenções excessivas e desnecessárias para um paciente já tratado endoscopicamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar uma polipectomia curativa em caso de adenocarcinoma?

Uma polipectomia é considerada curativa se o adenocarcinoma for bem diferenciado, sem invasão angiolinfática, com margens de ressecção livres (>1-2mm) e invasão limitada à cabeça ou colo do pólipo (Haggitt 1-3 para pediculados).

O que a classificação de Haggitt avalia em pólipos com câncer?

A classificação de Haggitt descreve o nível de invasão do adenocarcinoma em pólipos pediculados, variando de Haggitt 1 (invasão na cabeça) a Haggitt 4 (invasão na submucosa da parede intestinal, além do pedículo).

Quando a cirurgia radical é indicada após a detecção de adenocarcinoma em pólipo?

A cirurgia radical (colectomia ou retossigmoidectomia) é indicada se houver invasão angiolinfática, margens comprometidas, diferenciação pobre, ou invasão profunda (Haggitt 4 em pólipos pediculados ou invasão submucosa profunda em sésseis).

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