Adenocarcinoma de Papila: Conduta e Cirurgia de Whipple

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

Um homem leucodérmico, com idade de 51 anos, previamente hígido e assintomático, procurou atendimento médico por causa de prurido intenso e progressivo em toda a superfície corpórea. Ele estava ictérico às custas de bilirrubina direta elevada. A endoscopia revelou um tumor vegetante na papila duodenal sem outras anormalidades. Feita colangiopancreatografia retrógrada com biópsia, diagnosticou-se adenocarcinoma de papila duodenal. O estudo de ressonância magnética não mostrou linfadenomegalia regional. Com base nesses dados, qual é a conduta ADEQUADA, nesse caso, entre os itens seguintes?

Alternativas

  1. A) Apenas a retirada do tumor por via endoscópica, com margens amplas livres, tendo em vista ser ele in situ sem metástases e acompanhamento clínico.
  2. B) Gastroduodenopancreatectomia cefálica e colecistectomia em monobloco com linfonodos regionais, seguida de reconstrução do trânsito com jejuno.
  3. C) Exérese do colédoco distal e segmento lateral do duodeno, incluindo a papila, seguida de derivação com jejuno em Y de Roux.
  4. D) Retirada da papila, junto com a mucosa duodenal e a parte transmural do colédoco distal, preservando o ducto pancreático, seguida por anastomose coledocoduodenal.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma de papila → Gastroduodenopancreatectomia (Whipple) é o padrão-ouro curativo.

Resumo-Chave

Tumores periampulares malignos exigem ressecção radical (Whipple) para garantir margens livres e linfadenectomia, mesmo sem linfonodomegalia visível em exames de imagem iniciais.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de papila duodenal, ou ampuloma, é um tumor periampular que frequentemente se manifesta de forma precoce devido à obstrução do fluxo biliar, causando icterícia e prurido. Diferente dos tumores de pâncreas, o diagnóstico costuma ser feito em estágios mais precoces, o que confere um melhor prognóstico após o tratamento cirúrgico adequado. A conduta padrão é a gastroduodenopancreatectomia cefálica (cirurgia de Whipple), que envolve a remoção da cabeça do pâncreas, duodeno, vesícula biliar e colédoco distal, seguida de reconstrução com anastomoses pancreatojejunal, hepatojejunal e gastrojejunal. A linfadenectomia regional é parte essencial do procedimento para garantir o estadiamento patológico correto e o controle oncológico.

Perguntas Frequentes

Quando indicar a cirurgia de Whipple no ampuloma?

A gastroduodenopancreatectomia cefálica (Whipple) é indicada em casos de adenocarcinoma de papila duodenal confirmado ou suspeito com sinais de invasão, visando a ressecção oncológica completa com margens livres e a retirada dos linfonodos regionais, que são sítios frequentes de metástases microscópicas.

A papilectomia endoscópica pode ser realizada em adenocarcinomas?

A papilectomia endoscópica é reservada para lesões benignas (adenomas) ou carcinomas in situ muito selecionados, sem invasão da camada submucosa. Para o adenocarcinoma invasivo, como o do caso clínico, a técnica endoscópica é insuficiente por não permitir a linfadenectomia e apresentar altas taxas de recidiva.

Qual a importância da bilirrubina direta no diagnóstico de tumores periampulares?

A elevação da bilirrubina direta indica uma icterícia obstrutiva (padrão colestático). Em pacientes com mais de 50 anos e perda de peso ou prurido, a obstrução da papila por um tumor (ampuloma, câncer de cabeça de pâncreas ou colangiocarcinoma distal) deve ser a principal suspeita diagnóstica.

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