Critérios de Ressecabilidade no Câncer de Pâncreas: Borderline

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 58 anos de idade, comparece em consulta ambulatorial por dor epigástrica há cinco meses, associada a icterícia e perda ponderal. Tem antecedente pessoal de diabetes mellitus tipo 2 e etilismo. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, emagrecido, ictérico 2+/4+, com dor à palpação profunda de epigástrio, sem massas palpáveis. Realizou tomografias de tórax e abdome total, com a alteração relevante mostrada a seguir: Considerando a principal hipótese diagnóstica para a alteração apresentada e seus critérios de ressecabilidade, podemos afirmar que se trata de uma lesão:

Alternativas

  1. A) Irressecável, pois há invasão da artéria mesentérica superior.
  2. B) Borderline, pois há deformação da veia mesentérica superior.
  3. C) Ressecável, pois não há dilatação das vias biliares.
  4. D) Irressecável, pois há trombose da veia esplênica.

Pérola Clínica

Deformidade ou contato venoso (VMS/VP) > 180° sem oclusão → Tumor de Pâncreas Borderline.

Resumo-Chave

A classificação de ressecabilidade no câncer de pâncreas define-se pelo grau de contato com vasos arteriais (TC, AMS, AH) e venosos (VMS, VP).

Contexto Educacional

O adenocarcinoma ductal de pâncreas é uma das neoplasias mais letais, e a cirurgia é a única chance de cura. A avaliação por TC multidetector com protocolo para pâncreas é o padrão-ouro para o estadiamento. A distinção entre ressecável, borderline e irressecável é crucial para o planejamento terapêutico. Residentes devem dominar a anatomia do complexo VMS-VP e sua relação com o processo uncinado e a cabeça do pâncreas para interpretar corretamente os laudos de imagem e indicar a neoadjuvância quando necessário.

Perguntas Frequentes

O que define um tumor de pâncreas como borderline resectable?

Um tumor é classificado como borderline resectable (limítrofe) quando apresenta envolvimento vascular que, embora complexo, permite a ressecção cirúrgica com provável reconstrução. Segundo o NCCN, para a vertente venosa (Veia Mesentérica Superior e Veia Portal), isso inclui contato > 180° ou contato < 180° com irregularidade da parede venosa ou estreitamento do lúmen, desde que haja segmento venoso proximal e distal que permita a reconstrução. No caso da questão, a deformação da VMS sem invasão arterial de AMS caracteriza o estágio borderline.

Qual a conduta inicial para tumores de pâncreas borderline?

Diferente dos tumores claramente ressecáveis, onde a cirurgia de upfront (Whipple ou pancreatectomia distal) é frequentemente realizada, os tumores borderline devem ser submetidos preferencialmente à quimioterapia neoadjuvante (frequentemente FOLFIRINOX ou Gemcitabina/Nab-paclitaxel). O objetivo é promover o 'downstaging', aumentar a taxa de margens negativas (R0) e tratar micrometástases precocemente, reavaliando a ressecabilidade após o ciclo de tratamento sistêmico.

Quais vasos definem a irressecabilidade arterial no pâncreas?

A irressecabilidade arterial é definida pelo envolvimento (contato > 180°) do Tronco Celíaco (em tumores de corpo/cauda) ou da Artéria Mesentérica Superior (AMS) em qualquer localização. O contato da AMS > 180° é o principal critério de irressecabilidade técnica, pois a reconstrução arterial mesentérica é associada a altíssima morbimortalidade e resultados oncológicos desfavoráveis. O envolvimento da Artéria Hepática também pode conferir irressecabilidade se não permitir reconstrução segura.

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