Adenocarcinoma de Pâncreas: Ressecção Cirúrgica Curativa

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 61 anos de idade vem ao ambulatório com quadro de ictericia obstrutiva (bilirrubina direta de 7,1 mg/dl). Realizou tomografia de abdome com contraste que evidenciou lesão de 2 cm de diâmetro em cabeça de pâncreas sugestiva de adenocarcinoma, sem invasão vascular arterial ou venosa. Não há sinais de metástases à distância. Qual a conduta recomendada para o caso em questão?

Alternativas

  1. A) Duodenopancreatectomia.
  2. B) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica com passagem de prótese plástica para posterior duodenopancreatectomia.
  3. C) Biopsia guiada por ecoendoscopia para início de neoadjuvância.
  4. D) Derivação biliodigestiva, uma vez que o caso não é elegível para cirurgia de ressecção oncológica
  5. E) Encaminhamento para terapia paliativa com a clínica dor e cuidados paliativos.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma de cabeça de pâncreas ressecável (sem invasão vascular/metástases) → Duodenopancreatectomia (Whipple).

Resumo-Chave

O adenocarcinoma de cabeça de pâncreas é uma neoplasia agressiva. A presença de icterícia obstrutiva é um sintoma comum. Se a tomografia computadorizada não evidenciar invasão vascular arterial ou venosa e não houver metástases à distância, o tumor é considerado ressecável, e a duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) é a conduta curativa de escolha.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de pâncreas é uma das neoplasias mais agressivas, com alta mortalidade e diagnóstico frequentemente tardio. A localização mais comum é na cabeça do pâncreas, onde pode causar icterícia obstrutiva devido à compressão do ducto biliar, sendo um sintoma que pode levar ao diagnóstico precoce em alguns casos. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem como a tomografia computadorizada de abdome com contraste, que avalia a extensão do tumor e a presença de invasão vascular ou metástases. A ausência de invasão arterial ou venosa significativa e de metástases à distância define a ressecabilidade do tumor, um fator crítico para o prognóstico. Para tumores ressecáveis da cabeça do pâncreas, a duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) é a única opção curativa. Este procedimento complexo, embora associado a morbidade, oferece a melhor chance de sobrevida a longo prazo. A decisão pela cirurgia deve ser tomada em centros especializados, considerando o estado geral do paciente e a ausência de contraindicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de ressecabilidade para adenocarcinoma de pâncreas?

Um tumor de pâncreas é considerado ressecável quando não há evidência de metástases à distância e não há invasão vascular arterial ou venosa significativa, como oclusão da veia porta/mesentérica superior ou envolvimento da artéria mesentérica superior/tronco celíaco.

O que é a cirurgia de Whipple e por que é realizada?

A cirurgia de Whipple, ou duodenopancreatectomia, é um procedimento complexo que remove a cabeça do pâncreas, o duodeno, a vesícula biliar e parte do ducto biliar comum. É realizada para remover tumores malignos ressecáveis da cabeça do pâncreas, ampola de Vater, duodeno e colédoco distal, visando a cura.

Quando a icterícia obstrutiva em câncer de pâncreas requer drenagem biliar pré-operatória?

A drenagem biliar pré-operatória é indicada em pacientes com colangite aguda, disfunção renal ou hepática grave, ou quando a cirurgia será postergada por mais de 2-4 semanas. Em pacientes sem essas condições, a drenagem de rotina não é recomendada antes da cirurgia.

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