HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Homem de 74 anos apresenta icterícia progressiva há 1 mês, colúria e prurido intenso. Relata também perda de 12 kg nos últimos 3 meses. Tem como comorbidades doença pulmonar obstrutiva crônica e hipertensão arterial sistêmica. Ao exame físico, tem abdome flácido, indolor, com massa fibroelástica palpável em hipocôndrio direito, além de pressão arterial de 140x80 mmHg, frequência cardíaca de 80 bpm, ictérico 3+/4+ e ECOG 3. Os exames laboratoriais relevantes são: bilirrubina total: 15,0 mg/dL; bilirrubina direta: 13,2 mg/dL; fosfatase alcalina (FA): 980 U/L; gama-GT (GGT): 820 U/L; INR: 1,3; e creatinina sérica: 0,9 mg/dL. O paciente realizou também uma tomografia de abdome que demonstrou uma lesão de 25 mm em cabeça de pâncreas, com dilatação de via biliar e ducto pancreático, sem contato com vasos mesentéricos superiores e sem evidência de metástases. A conduta apropriada neste cenário é:
ECOG ≥ 3 + Câncer de Pâncreas → Paliação (CPRE/Stent) em vez de Duodenopancreatectomia.
Embora a lesão seja tecnicamente ressecável por imagem, o status funcional (ECOG 3) contraindica cirurgia de grande porte, priorizando a descompressão biliar paliativa.
O adenocarcinoma de pâncreas frequentemente se manifesta com a tríade de icterícia obstrutiva, perda ponderal e dor abdominal. O sinal de Courvoisier-Terrier (vesícula palpável e indolor) é altamente sugestivo de obstrução maligna distal. A avaliação da ressecabilidade exige tomografia de abdome com protocolo para pâncreas, mas a decisão terapêutica é multidisciplinar. O status de performance (ECOG) é um preditor crítico de desfecho; pacientes com ECOG 3 ou 4 raramente se beneficiam de intervenções curativas agressivas, sendo direcionados para suporte paliativo, onde a descompressão biliar via CPRE ou percutânea desempenha papel central no controle de sintomas como o prurido intenso e a má absorção.
A ressecabilidade é definida pela ausência de metástases à distância e pela relação do tumor com os grandes vasos (artéria mesentérica superior, tronco celíaco e veia porta). Tumores sem contato vascular ou com contato < 180 graus sem deformidade venosa são geralmente considerados ressecáveis. No entanto, a decisão cirúrgica final deve sempre integrar a ressecabilidade técnica com o status funcional do paciente (ECOG/Karnofsky).
A duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) é um procedimento de alta complexidade com morbimortalidade significativa. Pacientes com ECOG 3 (capazes de apenas autocuidado limitado, permanecendo na cama ou cadeira mais de 50% do tempo) possuem reserva fisiológica insuficiente para tolerar o estresse cirúrgico e a recuperação pós-operatória, tornando o risco proibitivo.
Em pacientes com icterícia obstrutiva por neoplasia irressecável ou sem condições clínicas para cirurgia, a CPRE com colocação de stent biliar visa aliviar o prurido, melhorar a função hepática e prevenir colangite, proporcionando melhor qualidade de vida. É a conduta de escolha para descompressão biliar em casos de paliação exclusiva.
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