SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020
Homem, 58 anos, submetido à duodenopancreatectomia por adenocarcinoma de cabeça de pâncreas de 2,3 cm. Homem, 58 anos, submetido à duodenopancreatectomia por adenocarcinoma de cabeça do pâncreas de 2,3 cm. Qual dos esquemas quimioterápicos adjuvantes abaixo é o mais adequado para elevar a sobrevida desse paciente?
FOLFIRINOX modificado = padrão-ouro adjuvante no adenocarcinoma de pâncreas em pacientes fit (ECOG 0-1).
O FOLFIRINOX modificado demonstrou ganho significativo de sobrevida global e livre de doença em relação à gencitabina no cenário adjuvante após ressecção R0/R1.
O tratamento do adenocarcinoma de pâncreas evoluiu de uma abordagem puramente cirúrgica para uma estratégia multimodal. A duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) é o tratamento definitivo para tumores de cabeça de pâncreas, mas as taxas de recorrência sistêmica são altas sem terapia complementar. A escolha do regime adjuvante depende fundamentalmente do 'performance status' do paciente no pós-operatório. O FOLFIRINOX modificado (composto por oxaliplatina, irinotecano e 5-fluorouracil) é a primeira escolha para pacientes 'fit'. Para aqueles com menor reserva funcional, a gencitabina associada ou não à capecitabina é a alternativa padrão. O objetivo da adjuvância é erradicar micrometástases e prolongar a sobrevida global, que historicamente é baixa nesta patologia.
O estudo PRODIGE 24/CCTG PA.6 foi o ensaio clínico de fase III que comparou o FOLFIRINOX modificado com a gencitabina em pacientes submetidos à ressecção de adenocarcinoma pancreático. Os resultados mostraram uma sobrevida global mediana significativamente maior no grupo FOLFIRINOX (54,4 meses vs 35,0 meses), estabelecendo-o como o novo padrão de cuidado para pacientes com bom status de performance (ECOG 0 ou 1) após a cirurgia.
A gencitabina isolada ou em combinação com capecitabina (baseado no estudo ESPAC-4) permanece uma opção válida para pacientes que não possuem condições clínicas para tolerar a toxicidade do FOLFIRINOX. Isso inclui pacientes com performance status fragilizado (ECOG > 1), comorbidades graves ou recuperação cirúrgica prolongada que impeça o início de um regime triplo mais agressivo dentro do intervalo ideal de 12 semanas pós-operatórias.
O paciente deve ter se recuperado adequadamente da cirurgia (geralmente entre 4 a 12 semanas após o procedimento), apresentar níveis de CA 19-9 em queda ou normalizados e possuir um status de performance que permita o tratamento. A avaliação nutricional e o controle de complicações pós-operatórias, como fístulas ou má absorção, são cruciais antes de iniciar esquemas citotóxicos intensos como o FOLFIRINOX.
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