Adenocarcinoma Pancreático: Sinais Clínicos e Diagnóstico

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 62 anos é encaminhado ao ambulatório de cirurgia com história de icterícia progressiva associada a dor epigástrica irradiada para o dorso há 2 meses. Ele refere ainda que no período apresentou emagrecimento de 10 kg. De antecedentes refere ser hipertenso e tabagista há 40 anos. Nega etilismo. Ao exame físico o paciente está ictérico 2+/4, corado, afebril e orientado. O exame cardiorrespiratório não apresenta anormalidades. No exame abdominal, nota-se um abdome escavado, com uma vesícula biliar palpável e indolor. O quadro clínico deste paciente é sugestivo de:

Alternativas

  1. A) Hepatocarcinoma.
  2. B) Adenocarcinoma de colo.
  3. C) Adenocarcinoma gástrico.
  4. D) Adenocarcinoma pancreático.

Pérola Clínica

Icterícia progressiva + dor epigástrica irradiada dorso + emagrecimento + vesícula palpável indolor → Adenocarcinoma pancreático.

Resumo-Chave

A tríade de icterícia progressiva, dor epigástrica irradiada para o dorso e emagrecimento, especialmente em tabagista, é altamente sugestiva de adenocarcinoma pancreático. A vesícula biliar palpável e indolor (sinal de Courvoisier-Terrier) reforça a obstrução biliar por massa periampular.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma pancreático é uma neoplasia agressiva com alta mortalidade, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à ausência de sintomas precoces específicos. Sua epidemiologia mostra uma incidência crescente, sendo mais comum em idosos e com forte associação a fatores de risco modificáveis, como o tabagismo. A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento precoce dos sinais e sintomas para um possível manejo cirúrgico curativo, que é a única opção para a maioria dos pacientes. A fisiopatologia envolve mutações genéticas que levam à proliferação descontrolada das células ductais pancreáticas. O tumor, quando localizado na cabeça do pâncreas, pode comprimir o ducto biliar comum, causando icterícia obstrutiva. A dor epigástrica irradiada para o dorso é comum e pode indicar invasão neural. O emagrecimento é multifatorial, incluindo anorexia e má absorção. A suspeita deve surgir em pacientes com icterícia progressiva, dor abdominal atípica e perda de peso inexplicada, especialmente na presença do sinal de Courvoisier-Terrier. O tratamento primário para tumores ressecáveis é a cirurgia (pancreaticoduodenectomia ou cirurgia de Whipple), frequentemente seguida de quimioterapia adjuvante. Para tumores irressecáveis, o tratamento é paliativo, visando aliviar sintomas como icterícia (com stents biliares) e dor. O prognóstico é geralmente reservado, mas avanços na quimioterapia e terapias-alvo têm melhorado a sobrevida em alguns casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns do adenocarcinoma pancreático?

Os sintomas incluem icterícia progressiva, dor epigástrica que irradia para o dorso, perda de peso inexplicável, anorexia, náuseas e, por vezes, vesícula biliar palpável e indolor (sinal de Courvoisier-Terrier).

O que é o sinal de Courvoisier-Terrier e qual sua importância?

É a presença de uma vesícula biliar palpável e indolor em um paciente ictérico. Sugere obstrução do ducto biliar comum por uma massa extraluminal, como um tumor pancreático, e não por cálculos biliares.

Quais fatores de risco estão associados ao adenocarcinoma pancreático?

Os principais fatores de risco incluem tabagismo, idade avançada, pancreatite crônica, diabetes mellitus de início recente, obesidade e histórico familiar de câncer de pâncreas.

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