Câncer de Cabeça de Pâncreas: Manejo de Lesões Irressecáveis

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 47 anos apresenta icterícia progressiva, prurido e perda de peso. Ultrassonografia: dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas. Tomografia: lesão em cabeça de pâncreas com invasão vascular. Qual conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Ressecção cirúrgica imediata.
  2. B) Laparoscopia diagnóstica exclusiva.
  3. C) Alta ambulatorial para seguimento.
  4. D) Avaliar ressecabilidade; se irressecável, oferecer derivação biliar endoscópica ou percutânea e quimioterapia paliativa.

Pérola Clínica

Tumor de pâncreas irressecável (invasão vascular) → Paliação (Stent/Derivação + QT).

Resumo-Chave

Diante de um câncer de cabeça de pâncreas com invasão vascular (irressecável), o foco muda para o controle de sintomas (icterícia/prurido) via drenagem biliar e tratamento sistêmico paliativo.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de pâncreas é uma das neoplasias mais agressivas do trato digestivo, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à natureza insidiosa dos sintomas iniciais. A icterícia obstrutiva progressiva, acompanhada de perda ponderal, é o sinal clássico de tumores na cabeça do pâncreas. O estadiamento por tomografia computadorizada multislice com protocolo pancreático é o padrão-ouro para definir a ressecabilidade, avaliando a interface entre o tumor e os vasos retroperitoneais. Quando a invasão vascular impede a cirurgia curativa (Duodenopancreatectomia ou cirurgia de Whipple), a estratégia terapêutica foca na manutenção da qualidade de vida. A descompressão biliar é prioritária para permitir que o paciente inicie o tratamento quimioterápico sistêmico. Além da drenagem biliar, o controle da dor (muitas vezes via bloqueio do plexo celíaco) e o suporte nutricional com reposição de enzimas pancreáticas são pilares fundamentais do cuidado integral a esses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais sinais indicam irressecabilidade no câncer de pâncreas?

Os critérios de irressecabilidade incluem a presença de metástases à distância (frequentemente fígado ou peritônio) e a invasão vascular extensa. Especificamente, o envolvimento de mais de 180 graus da artéria mesentérica superior ou do tronco celíaco, ou a oclusão irreconstruível da veia mesentérica superior/veia porta, classificam o tumor como irressecável.

Como manejar a icterícia no tumor irressecável?

O manejo da icterícia obstrutiva em pacientes com doença avançada visa a paliação do prurido e a prevenção de colangite. A primeira linha é a drenagem biliar endoscópica via CPRE com colocação de stent metálico autoexpansível. Caso a via endoscópica falhe ou seja tecnicamente impossível, a drenagem biliar percutânea trans-hepática é a alternativa indicada.

Qual o papel da quimioterapia no cenário paliativo?

Em pacientes com bom status performance (ECOG 0-1), a quimioterapia paliativa (como os esquemas FOLFIRINOX ou Gemcitabina com Nab-paclitaxel) é indicada para retardar a progressão da doença, aliviar sintomas relacionados ao tumor e proporcionar um ganho modesto, porém significativo, na sobrevida global em comparação ao suporte exclusivo.

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