Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Homem de 47 anos apresenta icterícia progressiva, prurido e perda de peso. Ultrassonografia: dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas. Tomografia: lesão em cabeça de pâncreas com invasão vascular. Qual conduta inicial?
Tumor de pâncreas irressecável (invasão vascular) → Paliação (Stent/Derivação + QT).
Diante de um câncer de cabeça de pâncreas com invasão vascular (irressecável), o foco muda para o controle de sintomas (icterícia/prurido) via drenagem biliar e tratamento sistêmico paliativo.
O adenocarcinoma de pâncreas é uma das neoplasias mais agressivas do trato digestivo, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à natureza insidiosa dos sintomas iniciais. A icterícia obstrutiva progressiva, acompanhada de perda ponderal, é o sinal clássico de tumores na cabeça do pâncreas. O estadiamento por tomografia computadorizada multislice com protocolo pancreático é o padrão-ouro para definir a ressecabilidade, avaliando a interface entre o tumor e os vasos retroperitoneais. Quando a invasão vascular impede a cirurgia curativa (Duodenopancreatectomia ou cirurgia de Whipple), a estratégia terapêutica foca na manutenção da qualidade de vida. A descompressão biliar é prioritária para permitir que o paciente inicie o tratamento quimioterápico sistêmico. Além da drenagem biliar, o controle da dor (muitas vezes via bloqueio do plexo celíaco) e o suporte nutricional com reposição de enzimas pancreáticas são pilares fundamentais do cuidado integral a esses pacientes.
Os critérios de irressecabilidade incluem a presença de metástases à distância (frequentemente fígado ou peritônio) e a invasão vascular extensa. Especificamente, o envolvimento de mais de 180 graus da artéria mesentérica superior ou do tronco celíaco, ou a oclusão irreconstruível da veia mesentérica superior/veia porta, classificam o tumor como irressecável.
O manejo da icterícia obstrutiva em pacientes com doença avançada visa a paliação do prurido e a prevenção de colangite. A primeira linha é a drenagem biliar endoscópica via CPRE com colocação de stent metálico autoexpansível. Caso a via endoscópica falhe ou seja tecnicamente impossível, a drenagem biliar percutânea trans-hepática é a alternativa indicada.
Em pacientes com bom status performance (ECOG 0-1), a quimioterapia paliativa (como os esquemas FOLFIRINOX ou Gemcitabina com Nab-paclitaxel) é indicada para retardar a progressão da doença, aliviar sintomas relacionados ao tumor e proporcionar um ganho modesto, porém significativo, na sobrevida global em comparação ao suporte exclusivo.
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