SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um paciente de 65 anos de idade é admitido no hospital com icterícia, perda de peso e dor abdominal. Exames de imagem revelam uma lesão na cabeça do pâncreas, com possível envolvimento de vasos circundantes. A equipe médica considera realizar uma cirurgia de Whipple para ressecção do tumor. No pré-operatório, os sinais vitais apresentam PA = 150 mmHg x 90 mmHg, FC = 100 bpm, FR = 18 irpm e temperatura = 37,2°C. A respeito desse caso clínico qual é a conduta mais apropriada em relação à técnica cirúrgica a ser utilizada?
Suspeita de invasão vascular no pâncreas → Refinar estadiamento antes de indicar Whipple.
A decisão cirúrgica no câncer de pâncreas depende estritamente da relação do tumor com vasos nobres. Se há dúvida sobre a extensão, o estadiamento deve ser aprofundado para evitar cirurgias incompletas (R2).
O adenocarcinoma de pâncreas é uma das neoplasias mais agressivas do trato digestivo, com diagnóstico frequentemente realizado em estágios avançados. A icterícia obstrutiva indolor é o sinal clássico de tumores na cabeça do pâncreas. O único tratamento curativo é a ressecção cirúrgica, sendo a duodenopancreatectomia (Cirurgia de Whipple) o procedimento padrão para lesões cefálicas. O sucesso cirúrgico depende da ressecção com margens negativas (R0). Por isso, o estadiamento pré-operatório com TC de abdome com protocolo para pâncreas é fundamental. Se houver suspeita de envolvimento de vasos como a veia mesentérica superior ou artéria mesentérica superior, o caso deve ser discutido em equipe multidisciplinar. Em casos de dúvida sobre a extensão tumoral ou possível disseminação peritoneal oculta, a laparoscopia diagnóstica ou exames de imagem complementares são mandatórios antes de iniciar a laparotomia.
Um tumor de cabeça de pâncreas é considerado ressecável quando não há evidência de metástases à distância e não há contato com a artéria mesentérica superior (AMS) ou tronco celíaco, e o contato com a veia porta ou veia mesentérica superior é menor que 180 graus sem irregularidades no contorno vascular.
A cirurgia de Whipple (duodenopancreatectomia) é contraindicada na presença de metástases à distância (fígado, peritônio), envolvimento extenso de vasos arteriais (encapsulamento > 180° da AMS ou tronco celíaco) ou quando o estado clínico do paciente (performance status) não permite um procedimento de tamanha magnitude.
A terapia neoadjuvante é indicada principalmente para tumores 'borderline ressecáveis' (aqueles com contato vascular limitado). O objetivo é promover o 'downstaging' (redução do tumor), aumentar as taxas de ressecção R0 (margens livres) e tratar precocemente micrometástases, melhorando o prognóstico a longo prazo.
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