Adenocarcinoma da Junção Esofagogástrica: Classificação e Estadiamento

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 82 anos, nascido e residente nos Estados Unidos, está no Brasil há 1 ano. Vem ao ambulatório acompanhado pelo filho com história de disfagia progressiva há 6 meses, dor retroesternal e perda de peso acentuada. Refere hipertensão arterial leve, sem outras comorbidades. Traz endoscopia digestiva alta realizada há 1 semana. Segue foto de lesão identificada na junção esofagogástrica (cárdia).Diante da história clínica e do achado endoscópico, qual é a hipótese diagnóstica, a classificação a ser utilizada e a conduta?

Alternativas

  1. A) Papilomatose / Classificação de Kodsi / Ressecção endoscópica.
  2. B) Adenocarcinoma / Classificação de Kudo / Ressecção endoscópica.
  3. C) Adenocarcinoma / Classificação de Siewert / Estadiamento da doença.
  4. D) Carcinoma espinocelular (CEC) / Classificação de Kudo / Estadiamento da doença.
  5. E) Carcinoma espinocelular (CEC) / Classificação de Siewert / Ablação com plasma de argônio e gastrostomia endoscópica.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + perda peso + lesão junção esofagogástrica = Adenocarcinoma, classificar Siewert, estadiar doença.

Resumo-Chave

A disfagia progressiva e perda de peso em idosos com lesão na junção esofagogástrica (cárdia) são altamente sugestivas de adenocarcinoma. A classificação de Siewert é crucial para definir o tipo de tumor da junção esofagogástrica e guiar o estadiamento e tratamento.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma da junção esofagogástrica (JEG) é um câncer que tem aumentado em incidência, especialmente em países ocidentais, e está frequentemente associado ao refluxo gastroesofágico crônico e esôfago de Barrett. Clinicamente, manifesta-se por disfagia progressiva, perda de peso, dor retroesternal e, por vezes, anemia. A idade avançada é um fator de risco. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia da lesão. Uma vez confirmado o adenocarcinoma na JEG, a classificação de Siewert é indispensável. Ela divide os tumores em Tipo I (adenocarcinoma do esôfago distal, com centro do tumor 1-5 cm acima da JEG), Tipo II (adenocarcinoma da cárdia, com centro do tumor 1 cm acima a 2 cm abaixo da JEG) e Tipo III (adenocarcinoma subcardial, com centro do tumor 2-5 cm abaixo da JEG). Esta classificação orienta a estratégia cirúrgica e o prognóstico. Após a confirmação histopatológica e a classificação de Siewert, o estadiamento da doença é o passo mais crítico. Ele envolve exames de imagem como tomografia computadorizada de tórax e abdome, PET-CT e ultrassonografia endoscópica para avaliar a profundidade da invasão tumoral, o envolvimento linfonodal e a presença de metástases à distância. O estadiamento preciso é fundamental para determinar se o paciente é candidato à cirurgia, quimioterapia neoadjuvante, radioterapia ou cuidados paliativos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do adenocarcinoma da junção esofagogástrica?

Os sintomas mais comuns incluem disfagia progressiva (dificuldade para engolir), perda de peso inexplicável, dor retroesternal, saciedade precoce e, em alguns casos, anemia por sangramento.

O que é a Classificação de Siewert e qual sua importância?

A Classificação de Siewert divide os tumores da junção esofagogástrica em três tipos (I, II, III) com base na localização em relação à cárdia e à linha Z, sendo fundamental para determinar a abordagem cirúrgica e o prognóstico.

Qual o próximo passo após o diagnóstico histopatológico de adenocarcinoma da junção esofagogástrica?

Após o diagnóstico, o próximo passo é o estadiamento completo da doença, que pode incluir tomografia computadorizada, PET-CT e ultrassonografia endoscópica, para definir a extensão do tumor e planejar o tratamento.

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