Adenocarcinoma de Intestino Delgado: Diagnóstico e Sinais

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 68 anos queixa-se de dor abdominal intermitente e perda de peso inexplicada. Apresenta anemia ferropriva. Ele relata um histórico de síndrome do intestino irritável, mas observou um aumento na frequência e na gravidade dos sintomas nos últimos quatro meses. O exame físico revela uma massa palpável, com certa mobilidade, no quadrante inferior direito do abdômen. Diante desse quadro clínico, a hipótese diagnóstica principal é:

Alternativas

  1. A) Doença celíaca.
  2. B) Síndrome do intestino irritável.
  3. C) Tumor carcinoide do intestino delgado.
  4. D) Adenocarcinoma do intestino delgado.
  5. E) Doença de Crohn.

Pérola Clínica

Idoso + Anemia ferropriva + Massa em QID → Pensar em Neoplasia (Adenocarcinoma).

Resumo-Chave

O adenocarcinoma é o tumor maligno primário mais comum do intestino delgado; em idosos com anemia e massa palpável, deve ser a principal suspeita diagnóstica.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de intestino delgado é uma neoplasia rara, mas com incidência crescente. O quadro clínico é frequentemente insidioso, com sintomas inespecíficos como dor abdominal vaga, náuseas e fadiga secundária à anemia ferropriva. A presença de uma massa palpável e perda de peso indica, geralmente, uma doença em estágio mais avançado. Em pacientes idosos, o surgimento de sintomas que mimetizam a Síndrome do Intestino Irritável (SII) deve ser encarado com extrema cautela, pois a SII raramente se inicia após os 50 anos. A investigação deve incluir exames de imagem como a Entero-TC ou Entero-RM, que possuem alta sensibilidade para detectar espessamentos parietais e massas. O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica segmentar com linfadenectomia, e a quimioterapia adjuvante pode ser considerada em casos de linfonodos positivos (Estágio III).

Perguntas Frequentes

Qual a localização mais comum do adenocarcinoma de intestino delgado?

O adenocarcinoma de intestino delgado ocorre mais frequentemente no duodeno (cerca de 50% dos casos), seguido pelo jejuno e, por fim, pelo íleo. No entanto, quando se apresenta como uma massa palpável no quadrante inferior direito, como no caso clínico, o íleo distal é o sítio mais provável. Vale lembrar que, embora o intestino delgado represente 75% do comprimento do TGI, ele responde por menos de 5% de todas as neoplasias gastrointestinais, o que muitas vezes retarda o diagnóstico.

Quais são os principais fatores de risco para esse tumor?

Os fatores de risco para o adenocarcinoma de intestino delgado incluem doenças inflamatórias intestinais (especialmente a Doença de Crohn, que aumenta o risco de tumores no íleo), síndromes de polipose hereditária (como Polipose Adenomatosa Familiar e Síndrome de Peutz-Jeghers), Síndrome de Lynch e Doença Celíaca. O consumo de carne vermelha, alimentos defumados e o tabagismo também têm sido implicados como fatores contribuintes.

Como diferenciar clinicamente o adenocarcinoma do linfoma intestinal?

A diferenciação clínica pode ser difícil, mas algumas pistas ajudam. O adenocarcinoma frequentemente se apresenta com anemia ferropriva crônica por sangramento oculto e sintomas de obstrução progressiva (dor pós-prandial). O linfoma intestinal (frequentemente do tipo não-Hodgkin) pode cursar com febre, sudorese noturna e é mais comum em pacientes imunossuprimidos ou com doença celíaca de longa data. A massa palpável no adenocarcinoma tende a ser mais endurecida. O diagnóstico definitivo requer biópsia via enteroscopia ou peça cirúrgica.

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