PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
DJB, 57 angs, sexo masculino, pintor, tem diagnóstico de doença de Crohn desde os 42 anos, tendo sido submetido a ileocolectomia direita há seis anos. Evoluiu com fístula enterovesical tardia, sendo reoperado e ressecado grande parte do íleo restante. O exame anatomopatológico desta peça mostrou a presença de adenocarcinoma com células em "anel de sinete", sem acometimento em 18 linfonodos estudados. Devido a queixa de dor lombar, foi realizada cintilografia de corpo inteiro, que confirmou metástase em crista ilíaca esquerda. Em relação a este caso, assinale a alternativa CORRETA:
Crohn + Invasão de órgão adjacente (fístula maligna) = Estadiamento T4.
O adenocarcinoma associado à Doença de Crohn frequentemente ocorre em segmentos inflamados e, se houver invasão de órgãos vizinhos (como a bexiga), é classificado como T4.
O caso descreve um paciente com Doença de Crohn de longa data que desenvolveu uma complicação maligna. O adenocarcinoma de intestino delgado é uma complicação rara, mas bem documentada, da Doença de Crohn, ocorrendo geralmente após 10-20 anos de diagnóstico. A apresentação com fístula enterovesical e a confirmação histológica de adenocarcinoma com células em anel de sinete indicam uma doença avançada. No estadiamento TNM, a invasão de órgãos adjacentes (como a bexiga, evidenciada pela fístula) classifica o tumor como T4. A alternativa B está correta porque o estadiamento T foca na extensão local do tumor primário. A presença de metástase óssea (crista ilíaca) já classificaria o paciente como M1 (Estádio IV), mas a descrição do T4 permanece correta quanto à invasão local.
No sistema de estadiamento TNM para tumores do intestino delgado, o estágio T4 é definido quando o tumor invade diretamente outros órgãos ou estruturas adjacentes, como a bexiga (no caso de fístula enterovesical malignizada), a parede abdominal ou outras alças intestinais. A presença de fístula em um contexto de neoplasia sugere fortemente que o tumor rompeu as camadas da parede intestinal e atingiu o órgão vizinho, independentemente do status linfonodal (N).
A presença de células em anel de sinete é um subtipo histológico de adenocarcinoma associado a um comportamento biológico mais agressivo, maior taxa de metástases linfonodais e peritoneais, e, consequentemente, um pior prognóstico em comparação com o adenocarcinoma convencional. Elas são caracterizadas por grandes vacúolos de mucina intracitoplasmática que deslocam o núcleo para a periferia.
Pacientes com Doença de Crohn têm um risco aumentado de adenocarcinoma de intestino delgado (especialmente em áreas de inflamação crônica e fístulas) e adenocarcinoma colorretal (se houver acometimento colônico extenso). Além disso, há um risco elevado de linfomas (muitas vezes associados ao uso de imunossupressores) e carcinomas espinocelulares anais em casos de doença perianal crônica.
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