Adenocarcinoma Gástrico Precoce: Conduta e Prognóstico

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Paciente, 62 anos, sexo feminino, tabagista e etilista, realizou endoscopia digestiva alta devido à queixa de dispepsia. Na endoscopia, foi evidenciada uma lesão polipoide medindo 2cm em antro. Essa lesão foi ressecada por completo e enviada para histopatológico, que evidenciou adenocarcinoma gástrico bem diferenciado com invasão apenas da mucosa, sem ulceração. Realizou estadiamento adequado sem sinais de neoplasia em linfonodos ou a distância. Sobre o caso em questão, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O tratamento da paciente já foi feito, devendo apenas ser realizado acompanhamento para observação de sinais de recorrência.
  2. B) A paciente deverá ser submetida à gastrectomia total e quimioterapia.
  3. C) A paciente deverá ser submetida à gastrectomia subtotal com linfadenectomia para, então, definir ou não a necessidade de quimioterapia.
  4. D) Além da ressecção endoscópica, a paciente deverá passar por tratamento radioterápico.
  5. E) Além da ressecção endoscópica, a paciente deverá passar por quimioterapia.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma gástrico T1a (invasão mucosa) sem ulceração/linfonodos → Ressecção endoscópica curativa.

Resumo-Chave

Adenocarcinomas gástricos precoces (T1a), restritos à mucosa, sem ulceração e sem evidência de metástase linfonodal ou à distância, podem ser tratados de forma curativa por ressecção endoscópica. Nesses casos, a cirurgia radical não é necessária, e o acompanhamento é a conduta adequada.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma gástrico precoce representa uma forma de câncer gástrico com prognóstico significativamente melhor devido à sua detecção em estágios iniciais, onde a invasão tumoral é limitada à mucosa (T1a) ou submucosa (T1b). A identificação desses casos é crucial, pois permite abordagens terapêuticas menos invasivas e com alta taxa de cura. Fatores como tabagismo e etilismo são importantes fatores de risco para o desenvolvimento da doença. No caso de um adenocarcinoma gástrico T1a, bem diferenciado, sem ulceração e sem evidência de metástase linfonodal ou à distância, a ressecção endoscópica (como a dissecção submucosa endoscópica - DSE ou ressecção mucosa endoscópica - RME) pode ser curativa. Essa abordagem minimamente invasiva evita os riscos e a morbidade associados à gastrectomia, preservando a qualidade de vida do paciente. O estadiamento adequado, incluindo exames de imagem e biópsias, é fundamental para confirmar a ausência de doença avançada. Após a ressecção endoscópica curativa, o tratamento é considerado completo, e a conduta passa a ser o acompanhamento rigoroso para monitorar possíveis recorrências locais ou o surgimento de novas lesões. Esse acompanhamento geralmente envolve endoscopias digestivas altas periódicas. A decisão pela ressecção endoscópica versus cirurgia radical depende de critérios histopatológicos e de estadiamento bem definidos, visando sempre a cura com a menor morbidade possível.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar um adenocarcinoma gástrico como precoce?

O adenocarcinoma gástrico precoce é definido pela invasão limitada à mucosa ou submucosa, independentemente do envolvimento linfonodal. A questão descreve um T1a, que é restrito à mucosa.

Quando a ressecção endoscópica é curativa para câncer gástrico?

A ressecção endoscópica é considerada curativa para adenocarcinoma gástrico precoce (T1a) quando a lesão é bem diferenciada, não ulcerada, menor que 2-3 cm, sem invasão linfovascular e com margens livres de tumor.

Qual o acompanhamento recomendado após ressecção endoscópica curativa de câncer gástrico precoce?

Após ressecção endoscópica curativa, o acompanhamento geralmente envolve endoscopias de vigilância periódicas (a cada 6-12 meses nos primeiros anos) para detectar possíveis recorrências ou novas lesões, além de exames de imagem conforme indicação clínica.

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