Adenocarcinoma Gástrico T3N1M0: Abordagem Terapêutica

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Paciente A.J.C.C. foi diagnosticada recentemente com adenocarcinoma de corpo gástrico proximal por EDA, estadiada como T3N1M0 por tomografias de abdome e tórax. Assinale a alternativa em que está descrito o melhor tratamento para o caso.

Alternativas

  1. A) Gastrectomia total com linfadenectomia D2, seguido de quimioterapia.
  2. B) Quimioterapia pré-operatória, seguida de gastrectomia total com linfadenectomia D2, seguida de quimioterapia.
  3. C) Videolaparoscopia diagnóstica, seguida de quimioterapia pré-operatória caso não haja doença peritoneal, seguida de gastrectomia total com linfadenectomia D2, seguida de quimioterapia.
  4. D) Quimioterapia pré-operatória, seguida de gastrectomia total a D2, seguida de quimio + radioterapia.
  5. E) Videolaparoscopia diagnóstica, seguida de quimioterapia pré-operatória caso não haja doença peritoneal ou quimioterapia hipertérmica intraperitoneal caso haja, seguida de gastrectomia total com linfadenectomia D2, seguida de quimioterapia.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma gástrico T3N1M0 → Videolaparoscopia diagnóstica + QT neoadjuvante (se não houver carcinomatose) + Gastrectomia total D2 + QT adjuvante.

Resumo-Chave

Para adenocarcinoma gástrico localmente avançado (T3N1M0), a videolaparoscopia diagnóstica inicial é crucial para excluir doença peritoneal oculta. Se ausente, a quimioterapia neoadjuvante é indicada para reduzir o tumor e tratar micrometástases, seguida de gastrectomia total com linfadenectomia D2 e quimioterapia adjuvante, conforme as diretrizes atuais.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia maligna com alta morbimortalidade, sendo o estadiamento preciso fundamental para guiar a conduta terapêutica. Pacientes com doença localmente avançada, como T3N1M0, representam um desafio, e a abordagem multimodal é a que oferece os melhores resultados. A compreensão das etapas de estadiamento e tratamento é crucial para o residente. A classificação T3N1M0 indica um tumor que invade a serosa sem invadir estruturas adjacentes (T3), com metástase em 1-2 linfonodos regionais (N1), e sem metástases à distância (M0). No entanto, exames de imagem como a tomografia podem subestimar a extensão da doença, especialmente a carcinomatose peritoneal. Por isso, a videolaparoscopia diagnóstica é uma etapa essencial para excluir doença peritoneal oculta antes de iniciar a quimioterapia neoadjuvante. A estratégia terapêutica para T3N1M0 geralmente envolve quimioterapia neoadjuvante, seguida de gastrectomia total com linfadenectomia D2 e, posteriormente, quimioterapia adjuvante. A quimioterapia neoadjuvante visa reduzir o tumor, erradicar micrometástases e aumentar a chance de ressecção curativa. A linfadenectomia D2 é o padrão ouro cirúrgico, pois melhora o estadiamento e o controle oncológico. A quimioterapia adjuvante consolida o tratamento e reduz o risco de recorrência.

Perguntas Frequentes

Por que a videolaparoscopia diagnóstica é essencial no estadiamento do câncer gástrico localmente avançado?

A videolaparoscopia diagnóstica é crucial para identificar doença peritoneal oculta (carcinomatose) que não é detectada por exames de imagem convencionais. A presença de carcinomatose peritoneal muda o estadiamento para M1 e contraindica a cirurgia curativa, direcionando o tratamento para quimioterapia paliativa.

Qual o papel da quimioterapia neoadjuvante no adenocarcinoma gástrico T3N1M0?

A quimioterapia neoadjuvante (pré-operatória) é utilizada para reduzir o tamanho do tumor primário, tratar micrometástases e melhorar a ressecabilidade, aumentando as chances de uma ressecção R0 (sem doença residual macroscópica ou microscópica) e, consequentemente, a sobrevida do paciente.

O que significa linfadenectomia D2 e por que é o padrão no câncer gástrico?

A linfadenectomia D2 envolve a remoção dos linfonodos perigástricos (D1) e dos linfonodos ao longo dos vasos principais do tronco celíaco (D2). É o padrão ouro no tratamento cirúrgico do câncer gástrico porque oferece um melhor estadiamento patológico e, em centros especializados, está associada a melhores taxas de sobrevida e menor recorrência local.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo