PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher de 62 anos vai ao Pronto-Socorro após apresentar hematêmese e melena. Há duas semanas, apresentou episódio semelhante, e a endoscopia digestiva alta revelou lesão gástrica ulcerada cuja biópsia revelou tratar-se de adenocarcinoma gástrico tipo difuso de Lauren. Relata anorexia e perda de 15kg nos últimos dois meses, além da perda de funcionalidade (passa a maior parte do dia deitada ou sentada). Ao exame físico, PA 132/82mmHg, FC 112bpm. Está alerta e orientada. As tomografias de tórax, abdome e pelve revelaram múltiplas lesões hepáticas hipovasculares com captação periférica de contraste. Assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA para a prevenção do ressangramento nessa paciente:
Câncer gástrico avançado + sangramento recorrente + Performance Status ↓ → Radioterapia Hemostática.
Em pacientes com neoplasia gástrica avançada, metástases e baixa funcionalidade, a radioterapia hemostática é a conduta de escolha para controle de sangramento, evitando procedimentos cirúrgicos de alta morbidade.
O manejo do câncer gástrico avançado exige uma distinção clara entre intenção curativa e paliativa. O tipo difuso de Lauren é agressivo e, quando associado a metástases hepáticas hipovasculares e queda do estado funcional, a conduta deve focar na qualidade de vida e controle de complicações agudas. A hematêmese recorrente é uma urgência paliativa onde a endoscopia pode falhar no controle definitivo de lesões ulceradas extensas. A radioterapia hemostática surge como padrão-ouro para esses casos por ser não invasiva e apresentar resultados duradouros no controle do ressangramento. A decisão terapêutica deve sempre considerar o ECOG (Eastern Cooperative Oncology Group) do paciente, priorizando medidas que não exijam internações prolongadas ou recuperações pós-operatórias complexas em indivíduos com expectativa de vida limitada.
A paciente apresenta adenocarcinoma gástrico tipo difuso com metástases hepáticas e perda significativa de funcionalidade (performance status ruim). Em cenários paliativos, o objetivo é o controle de sintomas com a menor morbidade possível. A gastrectomia total em um paciente debilitado e metastático possui altíssimo risco cirúrgico e não altera o prognóstico global, enquanto a radioterapia hemostática é eficaz no controle do sangramento local com perfil de segurança superior.
A radioterapia hemostática apresenta taxas de sucesso no controle do sangramento tumoral que variam de 70% a 90%. Ela atua promovendo inflamação local, trombose de pequenos vasos e fibrose, sendo uma ferramenta essencial no manejo paliativo de tumores gastrointestinais e urológicos sangrantes.
O tipo difuso de Lauren caracteriza-se por células pouco coesas (frequentemente em anel de sinete), infiltração difusa da parede gástrica (linite plástica) e pior prognóstico. Diferente do tipo intestinal, não forma glândulas bem definidas e está menos associado a fatores ambientais, ocorrendo frequentemente em pacientes mais jovens ou com predisposição genética.
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