IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 52 anos de idade, assintomático, realizou endoscopia digestiva alta com identificação de lesão elevada de 1,6cm em corpo gástrico proximal, cuja biópsia revelou adenocarcinoma bem diferenciado. Realizou tomografias de tórax e abdome total, sem evidência de lesões linfonodais ou à distância. Para definição da conduta em relação ao caso, qual exame ou procedimento deve ser realizado?
Lesão gástrica suspeita de câncer precoce → Ecoendoscopia (EUS) para avaliar profundidade (T) e linfonodos (N).
A ecoendoscopia é o padrão-ouro para diferenciar lesões T1a (limitadas à mucosa) de T1b (invasão da submucosa), definindo se o tratamento pode ser endoscópico ou cirúrgico.
O estadiamento preciso do adenocarcinoma gástrico é o pilar para a escolha terapêutica. Em pacientes com lesões pequenas e sem evidência de metástases nas TCs de tórax e abdome, o próximo passo é o estadiamento locorregional refinado. A ultrassonografia endoscópica (ecoendoscopia) utiliza transdutores de alta frequência que permitem a visualização das camadas da parede gástrica. Além de avaliar o componente 'T', a EUS permite a análise dos linfonodos regionais ('N'), podendo inclusive realizar punção por agulha fina (FNA) se houver dúvida. Para o adenocarcinoma bem diferenciado de 1,6 cm, a confirmação de que a lesão é T1a N0 pela ecoendoscopia permitiria uma abordagem conservadora via endoscopia, reduzindo drasticamente a morbidade em comparação com uma gastrectomia.
A EUS é fundamental quando há suspeita de câncer gástrico precoce (T1) para determinar a profundidade da invasão na parede gástrica. Ela diferencia se a lesão atinge apenas a mucosa (T1a) ou se invade a submucosa (T1b). Essa distinção é crucial, pois lesões T1a bem diferenciadas e sem ulceração podem ser tratadas por ressecção endoscópica, enquanto lesões T1b geralmente requerem cirurgia.
Não. A tomografia computadorizada (TC) é excelente para avaliar metástases à distância (M) e grandes linfonodomegalias, mas tem baixa sensibilidade para avaliar a profundidade da invasão na parede gástrica (T) e linfonodos perigástricos pequenos. Portanto, a TC e a EUS são exames complementares no estadiamento locorregional.
Os critérios clássicos para ressecção endoscópica (mucosectomia ou ESD) incluem: adenocarcinoma bem diferenciado, lesão menor que 2 cm, não ulcerada e limitada à mucosa (T1a). A ecoendoscopia é o exame que fornece a segurança diagnóstica sobre a profundidade e a ausência de linfonodos suspeitos para autorizar esse procedimento.
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