Adenocarcinoma Gástrico: Manejo de Células em Anel de Sinete

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 70 anos, hipertenso controlado, com adenocarcinoma gástrico com células em anel de sinete medindo 1,4cm, sem ulceração, localizado na grande curvatura de corpo distal. Estadiado por ecoendoscopia como restrito à mucosa. Qual é a conduta?

Alternativas

  1. A) Gastrectomia em cunha com pesquisa de linfonodo sentinela e linfadenectomia regional.
  2. B) Gastrectomia subtotal com linfadenectomia D2.
  3. C) Mucosectomia endoscópica.
  4. D) Dissecção endoscópica submucosa (ESD). 

Pérola Clínica

Adenocarcinoma gástrico de células em anel de sinete, mesmo intramucoso, tem alto risco de metástase linfonodal → cirurgia radical (Gastrectomia D2).

Resumo-Chave

O adenocarcinoma gástrico com células em anel de sinete é um tipo histológico agressivo. Mesmo em estágios precoces (restrito à mucosa), o risco de metástase linfonodal é significativamente maior do que outros tipos histológicos, justificando uma abordagem cirúrgica mais radical como a gastrectomia subtotal com linfadenectomia D2, em vez de ressecção endoscópica.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia maligna com alta morbimortalidade global, sendo o tipo histológico de células em anel de sinete uma variante particularmente desafiadora. Sua importância clínica reside na sua agressividade e na necessidade de uma abordagem terapêutica mais radical, mesmo em estágios considerados precoces. O estadiamento preciso, frequentemente realizado com ecoendoscopia, é crucial para definir a extensão da doença e guiar a conduta. A fisiopatologia do adenocarcinoma de células em anel de sinete envolve características moleculares e genéticas distintas que contribuem para seu comportamento invasivo e maior propensão à disseminação linfática. O diagnóstico é histopatológico, e a suspeita clínica pode surgir em pacientes com sintomas dispépticos inespecíficos ou em exames de rastreamento. A diferenciação entre câncer gástrico precoce e avançado é fundamental para o prognóstico e a escolha do tratamento. O tratamento do adenocarcinoma gástrico de células em anel de sinete, mesmo quando restrito à mucosa, geralmente envolve gastrectomia com linfadenectomia D2 devido ao alto risco de metástase linfonodal. A ressecção endoscópica é reservada para casos muito específicos de câncer gástrico precoce, bem diferenciado, sem ulceração, e sem características histológicas de alto risco. O prognóstico varia conforme o estágio, mas a detecção precoce e o tratamento adequado são essenciais para melhorar os resultados.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do adenocarcinoma gástrico de células em anel de sinete?

O adenocarcinoma gástrico de células em anel de sinete é um subtipo histológico caracterizado pela presença de células com grande vacúolo de mucina que desloca o núcleo para a periferia, conferindo-lhes a aparência de anel. É frequentemente associado a um comportamento mais agressivo e maior risco de metástase linfonodal.

Por que a ressecção endoscópica não é a conduta ideal para células em anel de sinete intramucosas?

Apesar de estar restrito à mucosa, o adenocarcinoma de células em anel de sinete possui um risco intrínseco elevado de metástase linfonodal, mesmo na ausência de ulceração ou invasão submucosa. As diretrizes atuais geralmente contraindicam a ressecção endoscópica para este tipo histológico, preferindo a cirurgia radical com linfadenectomia.

O que significa linfadenectomia D2 no tratamento do câncer gástrico?

A linfadenectomia D2 é uma ressecção cirúrgica padronizada dos linfonodos perigástricos de grupos 1 e 2, que inclui os linfonodos ao longo das artérias gástrica esquerda, hepática comum, esplênica e tronco celíaco. É considerada a abordagem cirúrgica oncológica padrão para o câncer gástrico avançado e para muitos casos de câncer precoce com fatores de risco.

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