HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Mulher de 75 anos apresenta há alguns meses dor epigástrica, plenitude pós-prandial e náuseas. Endoscopia digestiva alta mostra úlcera gástrica de 2,5 cm em pequena curvatura, bordas elevadas e friáveis. Biópsia revelou adenocarcinoma gástrico. Estadiamento inicial com TC mostra tumor restrito à parede gástrica, sem linfonodomegalias ou metástases. Em relação ao tratamento mais indicado, assinale a alternativa correta:
Adenocarcinoma gástrico distal/corpo sem metástases → Gastrectomia subtotal + Linfadenectomia D2.
O tratamento padrão para câncer gástrico ressecável é a cirurgia com margens livres associada à linfadenectomia (preferencialmente D2) para controle oncológico adequado.
O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia agressiva que exige estadiamento rigoroso com TC de tórax, abdome e pelve, além de ecoendoscopia em casos selecionados. O tratamento curativo baseia-se na ressecção cirúrgica R0. Para tumores T2 ou superiores, ou com linfonodos positivos (N+), a quimioterapia perioperatória (esquema FLOT) tem demonstrado benefício em sobrevida global. No entanto, a base do tratamento permanece a gastrectomia com linfadenectomia D2. A reconstrução do trânsito após gastrectomia subtotal geralmente é feita via Billroth II ou Y de Roux, sendo esta última preferida para evitar o refluxo biliar alcalino.
A escolha depende da localização do tumor e da necessidade de margens cirúrgicas livres (geralmente 5 cm para tumores do tipo intestinal e 8 cm para o tipo difuso). Tumores localizados no terço distal (antro) ou corpo médio (pequena curvatura) permitem a gastrectomia subtotal (parcial). Já tumores do terço proximal (cárdia, fundo) ou tumores extensos (linitis plastica) exigem a gastrectomia total para garantir a radicalidade oncológica.
A linfadenectomia D2 envolve a remoção dos linfonodos perigástricos (N1) e dos linfonodos ao longo das artérias do tronco celíaco (N2). É considerada o padrão-ouro no tratamento do câncer gástrico potencialmente curável, pois oferece melhor estadiamento patológico e reduz a recorrência locorregional em comparação à linfadenectomia D1, embora exija maior expertise técnica do cirurgião para minimizar complicações pós-operatórias.
Não. A ressecção endoscópica (mucosectomia ou ESD) é reservada para critérios restritos: tumores T1a (limitados à mucosa), bem diferenciados, menores que 2 cm, não ulcerados e sem evidência de invasão linfovascular. No caso apresentado, a úlcera tem 2,5 cm e o estadiamento sugere invasão da parede gástrica (T2), o que contraindica a via endoscópica e exige a abordagem cirúrgica formal com linfadenectomia.
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