SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Após tratamento neoadjuvante, uma paciente de 54 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma tipo intestinal de 2 cm no antro gástrico, realiza tomografia que demonstra adenopatias em tronco celíaco, ausência de metástases hepáticas ou ascite. Atualmente, apresenta-se com bom estado geral e sem outras comorbidades. Para essa paciente, qual o próximo passo para o seu tratamento?
Câncer gástrico distal (antro) com linfonodos regionais pós-neoadjuvância → Gastrectomia subtotal + D2 + Y de Roux.
Para adenocarcinoma gástrico distal (antro) com envolvimento linfonodal regional (tronco celíaco), mesmo após neoadjuvância, a ressecção cirúrgica curativa envolve gastrectomia subtotal com linfadenectomia D2. A reconstrução em Y de Roux é preferível para reduzir o refluxo biliar e melhorar a qualidade de vida pós-operatória.
O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia maligna com alta morbimortalidade, sendo o tratamento cirúrgico a principal modalidade com intenção curativa. O estadiamento preciso é fundamental para determinar a extensão da doença e planejar a terapia. A presença de adenopatias em tronco celíaco indica um estágio avançado, mas potencialmente ressecável, especialmente após terapia neoadjuvante, que visa reduzir o tamanho do tumor e tratar micrometástases. Para tumores localizados no antro gástrico, a gastrectomia subtotal é a cirurgia de escolha, permitindo a ressecção do tumor com margens adequadas. A linfadenectomia D2 é o padrão ouro para o câncer gástrico ressecável, envolvendo a remoção de linfonodos das cadeias perigástricas e ao longo dos vasos principais do tronco celíaco. Essa extensão da linfadenectomia é crucial para um estadiamento preciso e para melhorar os resultados oncológicos a longo prazo, sendo superior à linfadenectomia D1. A reconstrução do trânsito alimentar após a gastrectomia é um passo vital. A reconstrução em Y de Roux é amplamente utilizada e preferida após gastrectomia subtotal ou total. Ela cria uma alça jejunal que é anastomosada ao remanescente gástrico (ou esôfago na gastrectomia total), com a alça biliar e pancreática anastomosada mais distalmente. Isso evita o refluxo biliar para o estômago ou esôfago, minimizando complicações como gastrite de refluxo e esofagite, e contribuindo para uma melhor qualidade de vida pós-operatória do paciente.
A gastrectomia subtotal é indicada para tumores localizados no antro ou corpo distal do estômago, que permitem uma margem de segurança adequada e preservação de parte do estômago proximal. É a cirurgia de escolha para câncer gástrico distal ressecável.
A linfadenectomia D2 é crucial para o tratamento curativo do câncer gástrico, pois envolve a remoção de linfonodos de grupos mais distantes (ao longo das artérias gástrica esquerda, hepática comum, esplênica e tronco celíaco), melhorando o estadiamento e a sobrevida em comparação com a D1.
A reconstrução em Y de Roux após gastrectomia é preferível por criar uma alça de Roux que desvia o fluxo biliar e pancreático do coto gástrico ou esofágico, reduzindo o risco de refluxo biliar, esofagite e gastrite de refluxo, melhorando a qualidade de vida do paciente.
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