Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024
Paciente masculino, 52 anos, procura atendimento médico queixando-se de escurecimento das fezes há 2 semanas, associada à fraqueza, queda do estado geral e hipoatividade. Nega vômitos. Nega outras queixas. Ao exame físico: bom estado geral, descorado ++/4, hidratado, eupneico, anictérico, acianótico, afebril. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome flácido, indolor, depressível, sem sinais de irritação peritoneal.Toque retal com melena em dedo de luva. Durante a investigação ambulatorial foi encontrada anemia importante e realizada endoscopia digestiva alta para elucidação diagnostica em que se identificou lesão vegetante em antro gástrico (foto abaixo). Assinale a principal hipótese diagnóstica.
Paciente > 50 anos com anemia ferropriva, melena e lesão vegetante gástrica em EDA → Adenocarcinoma gástrico até prova em contrário.
O adenocarcinoma gástrico é a principal hipótese diagnóstica em pacientes de meia-idade ou idosos que apresentam sintomas como melena, anemia por deficiência de ferro e perda de peso, com uma lesão vegetante identificada na endoscopia digestiva alta. A biópsia é essencial para a confirmação histopatológica.
O adenocarcinoma gástrico é o tipo mais comum de câncer de estômago, representando mais de 90% dos casos. É uma neoplasia maligna com alta morbidade e mortalidade, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à inespecificidade dos sintomas iniciais. A epidemiologia mostra maior incidência em homens acima de 50 anos, com fatores de risco como infecção por Helicobacter pylori, gastrite atrófica e dieta. A fisiopatologia envolve uma sequência de eventos que levam à metaplasia, displasia e, finalmente, ao carcinoma. Os sintomas, como melena (sangramento digestivo alto), fraqueza e anemia por deficiência de ferro, são indicativos de sangramento crônico da lesão. A lesão vegetante em antro gástrico, como descrita, é uma apresentação macroscópica comum do adenocarcinoma. O diagnóstico é feito pela endoscopia digestiva alta com biópsias, que permitem a confirmação histopatológica. O tratamento do adenocarcinoma gástrico depende do estágio da doença e pode incluir cirurgia (gastrectomia), quimioterapia, radioterapia e terapia-alvo. O prognóstico é melhor quando a doença é diagnosticada precocemente. É fundamental que residentes estejam atentos a sinais de alarme como anemia inexplicada, perda de peso, disfagia e sangramento gastrointestinal em pacientes de risco, para indicar a investigação endoscópica oportuna e melhorar as chances de um desfecho favorável.
Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, como dispepsia, saciedade precoce e dor epigástrica. Em estágios mais avançados, podem surgir perda de peso, anemia (por sangramento crônico, manifestando-se como melena ou hematoquezia), disfagia e vômitos.
A endoscopia digestiva alta (EDA) é o método diagnóstico de escolha para o câncer gástrico. Permite a visualização direta da lesão, a descrição de suas características (ex: vegetante, ulcerada) e a realização de biópsias para confirmação histopatológica.
Os principais fatores de risco incluem infecção crônica por Helicobacter pylori, gastrite atrófica, anemia perniciosa, dieta rica em sal e alimentos defumados, tabagismo, alcoolismo e histórico familiar de câncer gástrico.
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