Câncer Gástrico Inicial: Prognóstico e Fatores de Risco

ENARE/ENAMED — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 50 anos, masculino, vai à consulta devido a quadro de dispepsia, sensação de plenitude pós-prandial, perda ponderal de cerca de 10Kg nos últimos 60 dias e dor abdominal esporádica. O paciente tem histórico de ser tabagista e hipertenso, atualmente em uso de hidroclorotiazida e losartan, e faz uso irregular de inibidor de bomba devido à gastrectomia parcial decorrente de úlcera gástrica há 10 anos. Após investigação, o paciente recebeu diagnóstico de neoplasia gástrica. Sobre esse quadro, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável, nesse caso, é linfoma gástrico.
  2. B) A presença de massa palpável em fundo gástrico, nódulo axilar e periumbilical é indicação para cirurgia de urgência.
  3. C) No adenocarcinoma, a consanguinidade e o tipo sanguíneo não são fatores de risco para a doença.
  4. D) A presença de gastrite atrófica e a cirurgia de gastrectomia parcial geralmente atrasam o surgimento de neoplasias gástricas.
  5. E) Em fases iniciais da doença, o prognóstico de cura é acima de 90%.

Pérola Clínica

Câncer gástrico inicial = prognóstico de cura >90% com tratamento adequado.

Resumo-Chave

O adenocarcinoma gástrico, quando diagnosticado em fases iniciais (limitado à mucosa ou submucosa), apresenta excelente prognóstico de cura, o que ressalta a importância da detecção precoce em pacientes de risco.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia maligna comum, com alta morbimortalidade, mas cujo prognóstico é fortemente influenciado pelo estágio ao diagnóstico. Fatores de risco incluem infecção por H. pylori, gastrite atrófica, metaplasia intestinal, tabagismo e histórico de gastrectomia parcial, como no caso do paciente, que aumenta o risco de câncer no coto gástrico após 10-20 anos. Os sintomas iniciais são frequentemente inespecíficos, como dispepsia e plenitude pós-prandial, o que pode atrasar o diagnóstico. Sintomas de alarme, como perda ponderal, dor abdominal persistente, disfagia e anemia, indicam doença mais avançada. A investigação deve ser feita com endoscopia digestiva alta com biópsias. A importância do diagnóstico precoce é ressaltada pelo fato de que, em fases iniciais (câncer gástrico precoce, limitado à mucosa ou submucosa), o prognóstico de cura é excelente, superando 90% com tratamento cirúrgico adequado. Isso contrasta com o prognóstico reservado das fases avançadas, enfatizando a necessidade de vigilância em grupos de risco e investigação de sintomas de alarme.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para adenocarcinoma gástrico?

Fatores de risco incluem infecção por H. pylori, gastrite atrófica, metaplasia intestinal, tabagismo, dieta rica em sal e defumados, e histórico de gastrectomia parcial.

Por que a gastrectomia parcial é um fator de risco para câncer gástrico?

A gastrectomia parcial altera a anatomia e fisiologia gástrica, levando a refluxo biliar, gastrite crônica e metaplasia, que aumentam o risco de câncer no coto gástrico após anos.

Quais sintomas devem levantar a suspeita de neoplasia gástrica?

Sintomas como dispepsia persistente, plenitude pós-prandial, perda ponderal inexplicada, dor abdominal, disfagia e anemia devem levantar a suspeita, especialmente em pacientes de risco.

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