Tratamento do Câncer Gástrico: Cirurgia e Linfadenectomia

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

O câncer gástrico é uma das neoplasias mais prevalentes, predominando em homens, na sétima década de vida e em países em desenvolvimento. Em relação ao tratamento desta doença, analise as assertivas abaixo classificando-as em Verdadeiro (V) ou Falso (F): ( ) O estômago tem um rico suprimento de vasos linfáticos, porém o número de linfonodos positivos na linfadenectomia não se correlaciona com a sobrevida. ( ) A ressecção completa de um tumor gástrico com ampla margem de estômago normal consiste no tratamento padrão para ressecção quando há intenção curativa. ( ) Para lesões proximais do fundo ou cárdia que não invadem a junção esôfago gástrica, a gastrectomia total com esofagojejunostomia em Y de Roux é a técnica mais preconizada. ( ) A linfadenectomia D1 é mais local, envolvendo apenas os linfonodos perigástricos enquanto a linfadenectomia D2 envolve esvaziamento do tronco celíaco e da artéria mesentérica superior. ( ) Nos tumores distais, a gastrectomia distal é a cirurgia apropriada, com margem proximal de pelo menos 4 a 6 cm e a margem distal é o duodeno proximal exatamente distal ao piloro.

Alternativas

  1. A) F-V-V-F-V.
  2. B) F-V-F-V-V.
  3. C) V-F-V-V-V.
  4. D) V-V-V-F-V.
  5. E) F-V-F-F-F.

Pérola Clínica

Câncer Gástrico curativo = Margens R0 + Linfadenectomia D2 (mínimo 15 linfonodos).

Resumo-Chave

O tratamento padrão-ouro para o câncer gástrico com intenção curativa envolve a ressecção com margens amplas e linfadenectomia D2, sendo o número de linfonodos um fator prognóstico crucial.

Contexto Educacional

O câncer gástrico é a quinta neoplasia mais comum no mundo. A cirurgia permanece como o único tratamento potencialmente curativo. A técnica de reconstrução em Y de Roux é amplamente utilizada para evitar o refluxo biliar alcalino para o esôfago ou remanescente gástrico. O tratamento multidisciplinar, incluindo quimioterapia perioperatória (esquema FLOT), tem demonstrado melhora significativa na sobrevida para tumores localmente avançados, complementando o rigor técnico da linfadenectomia D2.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre linfadenectomia D1 e D2?

A linfadenectomia D1 envolve a remoção dos linfonodos perigástricos (estações 1 a 6), localizados ao longo da pequena e grande curvatura. A linfadenectomia D2 é mais extensa e inclui os linfonodos ao longo das artérias que irrigam o estômago (tronco celíaco, artéria gástrica esquerda, hepática comum e esplênica - estações 7 a 12). A D2 é o padrão recomendado para tumores T2-T4 ou N+, pois oferece melhor controle regional e sobrevida, desde que realizada em centros especializados para minimizar a morbidade.

Quando indicar gastrectomia total versus gastrectomia distal?

A escolha depende da localização do tumor. Para tumores localizados no terço distal (antro e piloro), a gastrectomia distal (subtotal) é adequada, desde que se obtenha uma margem proximal livre de 4 a 6 cm. Para tumores no terço médio ou proximal (corpo, fundo ou cárdia que não invade a junção), a gastrectomia total é preferível para garantir a radicalidade oncológica. A reconstrução padrão após gastrectomia total é a esofagojejunostomia em Y de Roux.

Por que o número de linfonodos é importante no câncer gástrico?

O número de linfonodos acometidos é a base do estadiamento N (Nodal) da classificação TNM. Existe uma correlação direta entre o número de linfonodos positivos e a redução da sobrevida global. Além disso, para um estadiamento adequado e para evitar o fenômeno de 'migration stage' (subestadiamento), as diretrizes internacionais recomendam a análise de, no mínimo, 15 a 16 linfonodos na peça cirúrgica.

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