FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
Ao realizar uma endoscopia digestiva alta, o endoscopista descreve uma lesão ulcerada, infiltrativa em parte ou em todas as suas bordas, limites mal definidos na região do antro gástrico e cujas biópsias revelam ser um adenocarcinoma. O estadiamento confirma um T3N1M0. Diante disso a melhor forma terapêutica e a classificação da lesão seriam:
Lesão ulcerada infiltrante = Borrmann III; Antro gástrico = Gastrectomia Subtotal.
O adenocarcinoma gástrico avançado com bordas infiltrativas é classificado como Borrmann III. Para lesões distais (antro), a gastrectomia parcial (subtotal) com linfadenectomia D2 é o padrão terapêutico.
O adenocarcinoma gástrico é uma das neoplasias mais comuns do trato digestivo. A classificação macroscópica de Borrmann é essencial para o planejamento cirúrgico e tem valor prognóstico. Lesões Borrmann III e IV apresentam comportamento biológico mais agressivo e maior tendência à disseminação linfonodal e peritoneal. O estadiamento T3N1M0 indica invasão da subserosa e metástase em 1 a 2 linfonodos regionais, sem metástases à distância. Nestes casos, a cirurgia radical com linfadenectomia D2 é mandatória. A quimioterapia perioperatória (esquema FLOT) é frequentemente indicada para melhorar as taxas de sobrevida global e livre de doença em tumores T3 ou N+.
A classificação de Borrmann divide o câncer gástrico avançado em quatro tipos: Tipo I (lesão polipoide ou vegetante, bem delimitada); Tipo II (lesão ulcerada com bordas nítidas e elevadas, sem infiltração adjacente); Tipo III (lesão ulcerada com bordas infiltrativas, limites mal definidos); e Tipo IV (lesão infiltrativa difusa, como a linitite plástica).
A escolha depende da localização do tumor e da necessidade de margens livres (geralmente 5-6 cm no câncer avançado). Tumores localizados no antro ou corpo distal podem ser tratados com gastrectomia subtotal (parcial). Tumores do corpo proximal ou fundo, ou lesões Borrmann IV, geralmente requerem gastrectomia total para garantir radicalidade oncológica.
A linfadenectomia D2 envolve a remoção dos linfonodos das estações da pequena e grande curvatura (N1) e também dos linfonodos ao longo das artérias gástrica esquerda, hepática comum, celíaca e esplênica (N2). É o padrão-ouro no tratamento cirúrgico do câncer gástrico com intenção curativa, oferecendo melhor controle regional da doença.
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