FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Um homem de 60 anos, tabagista, realizou endoscopia digestiva alta para investigação de sintomas dispépticos e foi diagnosticado com uma neoplasia de antro. Para o tratamento curativo do adenocarcinoma gástrico, são utilizadas várias modalidades terapêuticas, de forma isolada ou associadas. Em relação ao tema, assinale a alternativa correta:
Câncer gástrico locorregional → Quimioterapia perioperatória + Gastrectomia com Linfadenectomia D2.
O tratamento padrão para o adenocarcinoma gástrico cT2+ ou N+ é a quimioterapia perioperatória (esquema FLOT) associada à cirurgia radical com linfadenectomia a D2.
O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia agressiva que exige uma abordagem multidisciplinar. O estadiamento pré-operatório com TC de tórax, abdome e pelve, além da ecoendoscopia em casos selecionados, é crucial para definir a estratégia terapêutica. Para tumores localizados no antro, a gastrectomia subtotal com margens livres é geralmente suficiente, desde que acompanhada da linfadenectomia D2. A transição para o tratamento perioperatório baseia-se na premissa de que a quimioterapia inicial trata micrometástases precocemente e aumenta a taxa de ressecção R0 (margens microscopicamente negativas). O sucesso do tratamento depende não apenas da técnica cirúrgica, mas da capacidade do paciente de tolerar o regime quimioterápico completo, o que reforça a necessidade de suporte nutricional e avaliação de performance status.
O esquema perioperatório consiste na administração de quimioterapia antes da cirurgia (neoadjuvante) e após a cirurgia (adjuvante). O protocolo FLOT (Fluorouracil, Leucovorin, Oxaliplatina e Docetaxel) é atualmente o padrão-ouro para pacientes com status performance adequado, pois demonstrou superioridade em relação à cirurgia isolada ou outros esquemas de quimioterapia na redução do estadiamento e aumento da sobrevida.
A linfadenectomia D2 envolve a remoção dos linfonodos perigástricos (D1) e dos linfonodos ao longo das artérias do tronco celíaco (D2). É considerada o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico curativo do câncer gástrico, pois oferece melhor controle regional da doença e estadiamento linfonodal mais preciso, com taxas de recorrência menores quando realizada por equipes experientes.
Diferente do câncer de esôfago ou reto, a radioterapia não é a primeira escolha rotineira no tratamento perioperatório do câncer gástrico no Brasil e na Europa. Ela pode ser utilizada em protocolos de quimiorradioterapia adjuvante (esquema MacDonald) para pacientes que não realizaram quimioterapia neoadjuvante e tiveram uma linfadenectomia subótima (menor que D2).
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