SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um paciente de 55 anos de idade queixa-se de dor abdominal crônica e perda de 20 kg nos últimos três meses. Após investigação, foi diagnosticado com adenocarcinoma gástrico avançado. O tratamento mais apropriado para esse paciente seria
Adenocarcinoma gástrico avançado → Gastrectomia (Total/Subtotal) + Linfadenectomia D2.
O tratamento curativo do câncer gástrico avançado exige ressecção R0 (margens livres) associada a uma linfadenectomia D2 para controle regional adequado.
O adenocarcinoma gástrico continua sendo um desafio oncológico, muitas vezes diagnosticado em estágios avançados devido a sintomas inespecíficos como perda de peso e dor abdominal. A cirurgia permanece como o único tratamento potencialmente curativo. A padronização da linfadenectomia D2 reduziu as taxas de recorrência locorregional e é amplamente aceita em centros de excelência. A reconstrução do trânsito após gastrectomia total é preferencialmente feita em Y de Roux para evitar o refluxo biliar esofágico severo. O suporte nutricional pré e pós-operatório é vital, dada a desnutrição frequente nesses pacientes.
A escolha depende da localização do tumor e da necessidade de margens livres (geralmente 5 cm para tumores de tipo intestinal e 8 cm para tipo difuso). Tumores localizados no terço distal (antro) podem ser tratados com gastrectomia subtotal. Já tumores do terço médio ou proximal (corpo e fundo), ou tumores extensos/difusos (linite plástica), requerem gastrectomia total para garantir a radicalidade oncológica.
A linfadenectomia D2 consiste na remoção dos linfonodos das estações perigástricas (N1: estações 1 a 6) e dos linfonodos ao longo dos ramos do tronco celíaco (N2: artéria gástrica esquerda, hepática comum, celíaca e esplênica - estações 7 a 12). É o padrão ouro para tumores T2 ou superiores, pois oferece melhor controle regional e estadiamento mais preciso do que a linfadenectomia D1.
Para tumores gástricos avançados (≥T2 ou N+), a quimioterapia perioperatória (esquema FLOT) é frequentemente recomendada. Ela consiste em ciclos antes e depois da cirurgia, visando reduzir o volume tumoral (downstaging), tratar micrometástases e aumentar as taxas de ressecção R0 e sobrevida global, conforme demonstrado em grandes ensaios clínicos.
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