Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Um homem feodérmico, de 63 anos, procurou o serviço médico por sentir fraqueza e perceber emagrecimento. Ao exame físico, o paciente estava em bom estado geral, com mucosa hipocorada +/4+ e sinal de Troisier, sem outras manifestações. Dentre as seguintes doenças, assinale a que deve, obrigatoriamente, ser investigada.
Sinal de Troisier (linfonodo supraclavicular esquerdo palpável) → Sugere neoplasia abdominal avançada (ex: Câncer Gástrico).
O sinal de Troisier indica a presença de metástase linfonodal à distância, frequentemente associada a tumores do trato gastrointestinal superior, exigindo investigação imediata por endoscopia e imagem.
O câncer gástrico é uma das neoplasias mais comuns do trato digestivo e, no Brasil, frequentemente é diagnosticado em estágios avançados. O sinal de Troisier é um achado semiológico clássico que exemplifica a disseminação linfática retrógrada. A presença deste sinal em um paciente idoso com perda ponderal e anemia (hipocromia) torna a investigação de neoplasia gástrica obrigatória. Fisiopatologicamente, o linfonodo de Virchow recebe a linfa de quase todo o corpo através do ducto torácico. Quando células malignas do abdome embolizam para este ducto, elas podem se alojar na junção do ducto torácico com a veia subclávia esquerda. O reconhecimento precoce desses sinais físicos durante o exame clínico é crucial para o direcionamento rápido do paciente para serviços de oncologia e cuidados paliativos ou tratamentos sistêmicos.
O sinal de Troisier refere-se à presença de um linfonodo supraclavicular esquerdo aumentado e endurecido, conhecido como linfonodo de Virchow. Clinicamente, ele é um marcador clássico de metástase de neoplasias abdominais, sendo o adenocarcinoma gástrico a causa mais comum. Sua importância reside no fato de indicar doença avançada (estádio IV), o que altera drasticamente o prognóstico e a estratégia terapêutica, geralmente contraindicando cirurgias com intuito curativo radical. A drenagem linfática do abdome via ducto torácico desemboca na veia subclávia esquerda, explicando por que as células neoplásicas se alojam preferencialmente nessa cadeia linfonodal.
Além do sinal de Troisier, o câncer gástrico avançado frequentemente se manifesta com síndrome consumptiva (perda de peso significativa, anorexia e astenia), dor epigástrica persistente, saciedade precoce e anemia ferropriva (hipocromia e microcitose) devido ao sangramento crônico da lesão tumoral. Em casos de disseminação peritoneal, pode haver ascite, prateleira de Blumer (massa palpável no fundo de saco retovesical ou retouterino) ou o nódulo da Irmã Maria José (metástase umbilical). A presença de palidez cutâneo-mucosa, como descrita no caso, reforça a suspeita de malignidade com repercussão sistêmica.
Diante da suspeita de neoplasia gástrica sugerida pelo sinal de Troisier e sintomas constitucionais, o exame padrão-ouro inicial é a Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsia da lesão suspeita. Após a confirmação histopatológica, o estadiamento deve ser completado com Tomografia Computadorizada (TC) de tórax, abdome e pelve para avaliar a extensão da doença e a presença de outras metástases. Em alguns casos, a biópsia do próprio linfonodo supraclavicular (por agulha fina ou excisional) pode ser realizada para confirmação diagnóstica se o sítio primário for incerto, embora a EDA geralmente seja o primeiro passo em pacientes com queixas dispépticas ou emagrecimento.
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