Sinal de Troisier e Câncer Gástrico: Diagnóstico e Conduta

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

Um homem feodérmico, de 63 anos, procurou o serviço médico por sentir fraqueza e perceber emagrecimento. Ao exame físico, o paciente estava em bom estado geral, com mucosa hipocorada +/4+ e sinal de Troisier, sem outras manifestações. Dentre as seguintes doenças, assinale a que deve, obrigatoriamente, ser investigada.

Alternativas

  1. A) Hipoparatireoidismo.
  2. B) Câncer gástrico.
  3. C) Enfisema pulmonar.
  4. D) Doença de Plummer.

Pérola Clínica

Sinal de Troisier (linfonodo supraclavicular esquerdo palpável) → Sugere neoplasia abdominal avançada (ex: Câncer Gástrico).

Resumo-Chave

O sinal de Troisier indica a presença de metástase linfonodal à distância, frequentemente associada a tumores do trato gastrointestinal superior, exigindo investigação imediata por endoscopia e imagem.

Contexto Educacional

O câncer gástrico é uma das neoplasias mais comuns do trato digestivo e, no Brasil, frequentemente é diagnosticado em estágios avançados. O sinal de Troisier é um achado semiológico clássico que exemplifica a disseminação linfática retrógrada. A presença deste sinal em um paciente idoso com perda ponderal e anemia (hipocromia) torna a investigação de neoplasia gástrica obrigatória. Fisiopatologicamente, o linfonodo de Virchow recebe a linfa de quase todo o corpo através do ducto torácico. Quando células malignas do abdome embolizam para este ducto, elas podem se alojar na junção do ducto torácico com a veia subclávia esquerda. O reconhecimento precoce desses sinais físicos durante o exame clínico é crucial para o direcionamento rápido do paciente para serviços de oncologia e cuidados paliativos ou tratamentos sistêmicos.

Perguntas Frequentes

O que é o sinal de Troisier e qual sua importância clínica?

O sinal de Troisier refere-se à presença de um linfonodo supraclavicular esquerdo aumentado e endurecido, conhecido como linfonodo de Virchow. Clinicamente, ele é um marcador clássico de metástase de neoplasias abdominais, sendo o adenocarcinoma gástrico a causa mais comum. Sua importância reside no fato de indicar doença avançada (estádio IV), o que altera drasticamente o prognóstico e a estratégia terapêutica, geralmente contraindicando cirurgias com intuito curativo radical. A drenagem linfática do abdome via ducto torácico desemboca na veia subclávia esquerda, explicando por que as células neoplásicas se alojam preferencialmente nessa cadeia linfonodal.

Quais são os principais sintomas associados ao câncer gástrico avançado?

Além do sinal de Troisier, o câncer gástrico avançado frequentemente se manifesta com síndrome consumptiva (perda de peso significativa, anorexia e astenia), dor epigástrica persistente, saciedade precoce e anemia ferropriva (hipocromia e microcitose) devido ao sangramento crônico da lesão tumoral. Em casos de disseminação peritoneal, pode haver ascite, prateleira de Blumer (massa palpável no fundo de saco retovesical ou retouterino) ou o nódulo da Irmã Maria José (metástase umbilical). A presença de palidez cutâneo-mucosa, como descrita no caso, reforça a suspeita de malignidade com repercussão sistêmica.

Qual a conduta diagnóstica imediata diante de um paciente com sinal de Troisier?

Diante da suspeita de neoplasia gástrica sugerida pelo sinal de Troisier e sintomas constitucionais, o exame padrão-ouro inicial é a Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsia da lesão suspeita. Após a confirmação histopatológica, o estadiamento deve ser completado com Tomografia Computadorizada (TC) de tórax, abdome e pelve para avaliar a extensão da doença e a presença de outras metástases. Em alguns casos, a biópsia do próprio linfonodo supraclavicular (por agulha fina ou excisional) pode ser realizada para confirmação diagnóstica se o sítio primário for incerto, embora a EDA geralmente seja o primeiro passo em pacientes com queixas dispépticas ou emagrecimento.

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